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Perdas com acidentes de trabalho no Brasil chegam a 4% do PIB

Seminário da FIERGS discutiu a gestão em saúde e segurança

Os acidentes de trabalho no Brasil causam prejuízos que variam de 2,3% a 4% do Produto Interno Bruto. Mas o resultado vai além das perdas econômicas. Anualmente, mais de 500 mil pessoas sofrem algum tipo de lesão durante o exercício das suas atividades profissionais. Atuando para reverter este cenário, a Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (FIERGS), por meio do seu Conselho de Relações do Trabalho e Previdência Social (Contrab), realizou o Seminário Internacional sobre Gestão de Saúde e Segurança no Trabalho (SST) e reuniu representantes de empresas, governos, trabalhadores e pesquisadores.

O encontro ocorreu na segunda-feira (28), no Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho, na sede da FIERGS. "Queremos sensibilizar os empresários e mostrar que investimentos em um sistema de gestão em saúde e segurança trazem ganhos em produtividade e competitividade, além de credibilidade junto à sociedade", afirmou o coordenador do Contrab, Ayrton Giovannini, na abertura do seminário, destacando que "a prevenção é o caminho mais seguro para um ambiente profissional saudável".

De acordo com o conferencista português Luis Alves Dias, que tratou dos sistemas de gestão de SST do ponto de vista da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a implementação de ações preventivas deve ser "simples, prática e fácil de usar". Conforme Dias, uma tendência mundial de sucesso é o aproveitamento dos programas já existentes nas empresas, como o da Qualidade, para inserir os de saúde e segurança. Também salientou as vantagens competitivas dos investimentos em SST. "Muitos países adotam as diretrizes da OIT nas suas concorrências. Na Europa, por exemplo, comprovar que possui gestão em SST é fundamental para uma corporação vender seus produtos e serviços", salienta Dias.

Para o presidente do Instituto Internacional da Saúde no Trabalho e da Associação Brasileira das Empresas de Segurança e Saúde no Trabalho, Ruddy Facci, "mais do que investir em planilhas e metas, o importante é focar os esforços na mudança cultural, com o envolvimento tanto da alta direção quanto dos colaboradores", explicou.

O Dia Mundial em Memória às Vítimas de Acidentes do Trabalho foi Instituído em 2003 pela OIT e faz referência à explosão de uma mina nos Estados Unidos, que matou 78 trabalhadores em 28 de abril de 1969. A data é celebrada em mais de cem países. Segundo a OIT, 270 milhões trabalhadores no mundo sofrem anualmente lesões graves ou mortais. São registradas seis mil mortes por dia. Os índices representam um custo equivalente a 4% do Produto Interno Bruto mundial. Dados da Fundacentro colocam o Brasil em quarto lugar no ranking mundial de casos, com 2.503 mortes. Perde apenas para a China (14.924), Estados Unidos (5.764) e Rússia (3.090).

O Serviço Social da Indústria lançou nesta segunda-feira o site Pro-SST (www.sesi.org.br/pro-sst), um sistema de informação onde estão inseridos dados sobre gestão em Segurança e Saúde no Trabalho (SST) e dicas de prevenção. Foi desenvolvido em parceria com o Canadian Centre for Occupational Health and Safety.