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PIB no trimestre cresce puxado pela indústria

Apesar do bom desempenho, o crescimento econômico ainda é explicado pela demanda

A atividade industrial impulsionou a expansão de 5,4% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no segundo trimestre deste ano, em comparação ao mesmo período de 2006, de acordo com dados divulgados nesta quarta-feira (dia 12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A indústria cresceu 6,8%, seguida de serviços (4,8%) e agropecuária (0,2%). É a maior alta do PIB, nessa base de comparação, desde 2004. Segundo a Federação das Industrias do Rio Grande do Sul, os dados refletem apenas o que os indicadores anteriores já revelavam: a economia brasileira está aquecida em 2007, em grande parte decorrente do aumento da demanda interna. "O aumento da demanda, porém, pode também repercutir na inflação. Como a oferta não vem crescendo no mesmo ritmo, no médio prazo pode haver reflexos negativos sobre a implementação da política monetária e, conseqüentemente, sobre a trajetória de queda da taxa de juros", afirma o presidente em exercício da FIERGS, Bolivar Moura.

No primeiro semestre de 2007, o PIB cresceu 4,9%, em relação a igual período de 2006. A indústria e os serviços, respectivamente, 4,9% e 4,7%, enquanto a agropecuária ficou em 1,4%. No segundo trimestre deste ano, o PIB registrou R$ 630,2 bilhões, sendo R$ 542,7 bilhões referentes ao valor adicionado a preços básicos e R$ 87,5 bilhões, aos impostos sobre produtos. No primeiro trimestre, o PIB havia sido de R$ 596,5 bilhões.

Com relação à produção no segundo trimestre deste ano, a indústria de transformação foi destaque (fabricação de produtos químicos, metalurgia, máquinas e equipamentos, material elétrico, entre outros), apresentando o melhor desempenho, com 7,2% superior a 2006. Também acompanharam o ritmo a indústria extrativa, especialmente o minério de ferro, (5,9%), a construção civil (6,3%) e eletricidade e água, esgoto e limpeza urbana (6,3%).

No mesmo período, na ótica de despesa, o investimento cresceu 13,8%, graças a taxas de juros mais baixas, maior acesso ao crédito e câmbio valorizado, que facilita a importação de máquinas e equipamentos. De acordo com Bolívar Moura, esse desempenho é muito positivo para a economia brasileira, pois ameniza as pressões inflacionárias do lado da demanda, uma vez que se refere à expansão da capacidade produtiva futura. Ainda sobre o ponto de vista da despesa, o consumo das famílias subiu pelo 15º trimestre consecutivo, também ajudado pela taxa de juros, pelo crédito em franca expansão e pelo aumento real da massa de salários. A expansão das exportações foi de 13%, a mais alta desde 2004, mas neste caso bastante influenciada pela baixa base de comparação resultante da greve da Receita Federal de 66 dias no ano passado nesse período.