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"Brasil dá sinais de recuperação, mas ainda há muito trabalho", diz Meirelles

A crise internacional e a reação da economia brasileira foi o tema abordado pelo presidente do Banco Central do Brasil, Henrique Meirellles, no Fórum de Economia sobre a Crise, realizado nesta quarta-feira (6), na FIERGS. Ele falou da sede da CNI em Brasília, por videoconferência, para 500 pessoas que participaram do evento promovido pela Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (FIERGS), por meio do Instituto Euvaldo Lodi (IEL-RS), com apoio da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Meirelles apresentou um comparativo entre a economia do Brasil e de outros países. Os números mostram que os efeitos da turbulência global estão sendo menores no País do que em outras nações. "Estamos com uma reserva internacional de US$ 201 milhões e a dívida pública caiu depois da crise porque temos reservas elevadas em euro e dólares, enquanto em outros países a dívida aumentou de 50 a 70%", justificou.

O presidente da FIERGS, Paulo Tigre, destacou em seu discurso, na abertura do evento, que o Brasil recebeu os impactos da crise de numa posição privilegiada. "Agora várias medidas adotadas na emergência podem e devem ser incorporadas de forma estruturante no País. A redução de impostos nos produtos, a desoneração de investimentos, a carga fiscal zero nas exportações e o aumento da concorrência bancária são fatores que poderão fazer com que o Brasil saia da crise numa condição melhor".

Para o presidente do BC, as taxas de juros de mercado têm o maior impacto na economia e, por consequência da crise, estão cada vez mais baixas. "Em janeiro de 2003 tínhamos uma taxa de 30%, em abril de 2009 está abaixo de 10%", o que significa a estabilização da nossa economia". Destacou ainda as medidas recentes adotadas pelo governo: o leilão de dólares para atender as demandas e a ampliação da garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Para comprovar o desempenho do Brasil diante da crise foram apresentados os índices da indústria automobilística nacional, que teve uma queda de 4% na produção em 12 meses. Já no Japão o recuo chegou a 56%, nos Estados Unidos foi registrada uma retração de 55% e no Reino Unido, 51%. "O Brasil está saindo dessa crise já numa trajetória de recuperação e com perspectivas de investimentos no País, mas a crise não acabou e o excesso de otimismo pode levar a uma decepção. Temos ainda muito trabalho pela frente", conclui Meirelles.

O presidente do Banco Central reforçou seu otimismo quando relatou acreditar que as previsões do mercado para o crescimento do PIB neste ano, de 0,3% de queda ante 2008, segundo o relatório Focus desta semana, estão muito baixas. "A nossa revisão será divulgada em junho. Achamos que o mercado está um pouquinho pessimista", disse. A atual previsão da autoridade monetária é de crescimento de 1,2% no PIB.

O Fórum teve ainda as participações da representante do International Association for Research in Economic Psychology (IAREP) no Brasil, Vera Rita de Mello Ferreira que falou sobre Psicologia Econômica, do colunista do Financial Times, Martin Wolf que abordou as Finanças e Mercados e do ex-presidente do Banco Central do Brasil, Gustavo Franco, discutindo Políticas Públicas. O último palestrante foi Ismail Erturk, professor da Universidade de Manchester (Inglaterra), destacando o mercado de ações e a gestão financeira nas empresas.

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