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Exportações

Câmbio é o principal entrave para os exportadores

FIERGS fez consulta e prioriza mudanças na política de valorização do real

Os elevados custos logísticos, as dificuldades na recuperação de créditos tributários e, principalmente, o comportamento da taxa de câmbio são os maiores entraves apontados na sondagem realizada pela Federação de Indústrias do Rio Grande do Sul (FIERGS) com empresas exportadoras gaúchas. "Esta pesquisa revela aquilo que o segmento considera importante para que o Estado retome uma posição de destaque no cenário internacional. Portanto, deve ser utilizada como um norteador de políticas públicas", afirmou o presidente da entidade, Paulo Tigre, ao avaliar os resultados.

A FIERGS, destaca Tigre, entregou esta semana para a Confederação Nacional da Indústria (CNI) esse estudo que tem o sentido não só de alertar as autoridades para o problema, mas de também verificar mudanças urgentes na política de valorização do real, seja de forma direta ou através de medidas compensatórias. A sondagem confirmou a pauta de prioridades que vinha sendo defendida pela Federação, cujos pontos principais são: desoneração total das vendas externas; liberação de créditos tributários aos exportadores; investimentos em infraestrutura e logística; e o fator câmbio. Este último, inclusive, foi o mais citado pelos empresários como a principal barreira às vendas externas.

Para 72% dos entrevistados, a política cambial necessita ser priorizada pelo governo como uma área de apoio às exportações e, para 48,5%, a taxa de câmbio de equilíbrio indicada deve estar na faixa de R$ 1,9 a R$ 2,1. Segundo o levantamento, esse cenário torna-se mais delicado quando se considera o porte das empresas. Para 100% das micro e pequenas, o real valorizado prejudica as suas atividades e a formação de preço no mercado. "As empresas de menor porte são as que encontram mais dificuldades para se proteger das variações cambiais, pois têm menor acesso aos mercados financeiros e poder de negociação com compradores e fornecedores", comentou o presidente da FIERGS.

O cenário atual, com o dólar depreciado torna todos os custos mais altos para o exportador, diante da redução de suas receitas em reais, salienta o presidente da FIERGS. "As perdas são evidentes e podem se traduzir, no médio prazo, em menos postos de trabalho".

Outro ponto abordado pela pesquisa refere-se à questão tributária, onde 52% das empresas afirmaram ter dificuldades e demora no ressarcimento de créditos como PIS/Cofins, IPI e ICMS. "Nesse momento, o governo deveria diminuir encargos tributários efetivos sobre as empresas, ressarcindo os créditos em menor espaço de tempo, e colocar em prática os mecanismos como, por exemplo, o drawback verde-amarelo também para o ICMS. Isso aliviaria a formação de estoques de créditos pelos exportadores, e todos os custos deles decorrentes, ajudando na preservação da competitividade junto a outros mercados" afirmou Tigre.

Os custos e entraves logísticos também foram lembrados, principalmente por aqueles que exportam para os Estados Unidos, União Europeia e países da África. "O País tem estradas precárias, portos e armazéns mal equipados e aeroportos que não conseguem liberar aeronaves com carga total. Isto mostra o elevado custo Brasil para a produção e prejudica a concorrência de nossos produtos. Não podemos usar o fato de que certas medidas só terão efeito no longo prazo como justificativa para que elas sejam constantemente adiadas", lembrou o presidente da FIERGS.

Mesmo diante das dificuldades internas e externas citadas na pesquisa, 63% dos industriais consultados têm intenção de expandir o volume exportado nos próximos dois anos (2010-2011) e 62% informaram que pretendem aumentar o valor agregado industrial às exportações no longo prazo. "Cabe ao governo desenvolver permanentemente ações em prol da eficiência logística e da redução de custos das exportações e estimular a inovação para agregar valor aos nossos produtos", reforçou Tigre.

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