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Dilma diz na CNI que Brasil não dará certo sem uma indústria forte

A presidenta Dilma Rousseff defendeu, nesta sexta-feira (13), em discurso na Confederação Nacional da Indústria (CNI), a necessidade de o País ter uma indústria fortalecida. "Não há hipótese do Brasil dar certo, de continuarmos nos desenvolvendo, distribuindo renda, gerando emprego, afirmando nossa soberania, tendo importância internacional, se não tivermos uma indústria forte", declarou. A presidenta esteve na CNI para conhecer o Programa de Apoio à Competitividade da Indústria Brasileira, que amplia a atuação do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) em inovação tecnológica e educação profissional para a indústria.

O evento contou com a presença de industriais brasileiros, entre eles o presidente da FIERGS, Heitor José Müller. Dilma disse não concordar com a tese de que a prevalência do setor de serviços sobre os demais segmentos da atividade econômica deve ser perseguida como característica de nação desenvolvida. "Não sou daquelas pessoas que acreditam que o mundo mudou e hoje é só serviços. Países que entraram nisso tendem a reverter em parte esse processo", enfatizou. O programa lançado investirá R$ 1,9 bilhão − dos quais R$ 1,5 bilhão financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Prevê a criação de 23 institutos de inovação e 38 de tecnologia.

"O Senai é o que temos de mais qualificado para transformar a pesquisa e o modelo de inovação brasileiros", disse Dilma. A presidenta alinhou, no que classificou de "entraves ao desenvolvimento sustentado do País", os altos juros e spreads (diferença entre o custo de captação dos bancos e o juro final), cobrados bem acima das taxas internacionais. Acompanhada dos ministros de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel; de Educação, Aloizio Mercadante; dos presidentes do BNDES, Luciano Coutinho; e da CNI, Robson Braga de Andrade, Dilma Rousseff percorreu uma exposição de projetos e equipamentos usados pelo Senai.

O presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, disse à presidenta Dilma Rousseff que o fortalecimento do Programa de Apoio à Competitividade da Indústria Brasileira é o momento de se apostar no futuro. "Os investimentos serão fundamentais para que o Senai amplie a sua participação nesse importante instrumento de democratização do ensino, de melhora da qualidade dos nossos profissionais e de incentivo ao emprego e ao crescimento econômico. Os nossos olhos estão voltados para os desafios da economia do século 21", destacou Andrade. O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, sublinhou que "o programa é o início do processo de reação competitiva da indústria brasileira". De acordo com ele, "estamos nos preparando para dobrar o tamanho do Sistema Senai, de maneira a formar ou retreinar, nos próximos dez anos, mais de 50 milhões de trabalhadores".

O Programa de Apoio à Competitividade da Indústria Brasileira quer atingir 4 milhões de matrículas ao ano em 2014 na rede Senai, quase o dobro das 2,5 milhões de matrículas registradas em 2011. Fazem também parte do programa a compra de 81 unidades móveis e, até 2014, a construção de 53 centros de formação profissional. Os 38 Institutos Senai de Tecnologia (IST) oferecerão às empresas serviços técnicos e tecnológicos, como metrologia, ensaios e testes laboratoriais para atestar ou elevar a qualidade dos produtos brasileiros. Já os 23 Institutos Senai de Inovação (ISI), que atuarão em rede com os Institutos e Tecnologia, serão aliados das empresas no desenvolvimento integrado de produtos, processos, pesquisa aplicada, solução de problemas complexos e antecipação de tendências tecnológicas. Essas unidades também formarão profissionais para gerar conhecimento e desenvolver tecnologias que atendam às necessidades da indústria.

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