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Economista afirma que para inovar é necessário aprender com o erro

"Aceitar o fracasso é um dos primeiros passos para quem deseja ter sucesso na hora de inovar. A diferença entre o vencedor e o perdedor é que o vencedor não desistiu". Essa foi uma das mensagens deixadas pela economista chinesa Ann Lee, em sua passagem pelo 1º Fórum de Inovação, realizado pela Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul, por meio do Instituto Euvaldo Lodi (IEL-RS), nesta quarta-feira (23), no Teatro Feevale, em Novo Hamburgo. Autora do livro "O que os Estados Unidos têm a aprender com a China", ela citou o exemplo de alguns bancos onde um dos pré-requisitos para a concessão de empréstimos a empreendedores é que eles já tenham falhado. "Faz parte desse processo", afirmou.

Para a economista, a riqueza de uma nação não pode ser medida apenas pelo PIB, pois esse valor não leva em consideração questões como lucro, distribuição de renda, níveis de felicidade e de educação. Ressaltou que inovar é uma questão de sobrevivência no mercado atual e lembrou que a América Latina, especialmente o Brasil, tem alto potencial para inovar, com sua população numerosa e elevado índice de biodiversidade.

Ann informou ainda que a China está abrindo as portas para que pessoas de outros países se instalem em seu território, com o objetivo de estimular a troca de conhecimentos e ideias diferentes. Em 2012, pela primeira vez, o país asiático ultrapassou os Estados Unidos em número de imigrantes. "A China está recrutando ativamente estrangeiros para seus centros de inovação e universidades. Professores qualificados são estimulados a trabalhar por lá, com salários elevados, por exemplo, algo que não acontece na América Latina", lamentou. A burocracia foi apontada por ela como um dos grandes vilões contra a inovação. "A maioria das normas limitam a concorrência e bloqueiam o processo criativo", avaliou Ann, ao citar o caso do início da Internet nos Estados Unidos, que gerou uma onda gigante de inovação e crescimento, entre outros fatores, por conta da falta de leis que a regulamentassem.

O presidente da FIERGS, Heitor José Müller, destacou que as empresas precisam se preparar diante desse novo mundo. "Não buscamos mão de obra, mas sim cérebros criativos e construtivos". Segundo o industrial, o processo de globalização, acelerado pela tecnologia da informação, foi tão significativo que hoje o Sistema FIERGS já trabalha com o conceito de "economia planetária". "Nesse contexto, tal como a órbita dos planetas, as nações têm laços tão fortes que se tornam dependentes entre si. Por isto, o tema deste Fórum é Inovação e a Interdependência na Economia. E o equilíbrio entre os países passa a ser a palavra de ordem mundial. A inovação está em todos os lugares, sem limites físicos ou de territórios, pois as fronteiras são digitais", salientou. Para Müller, o desafio agora é saber como inovar nesse ambiente coletivo, respeitando e entendendo as assimetrias, a diversidade cultural, e ao mesmo tempo promovendo a integração econômica entre os países e os blocos regionais.

A palestra Conexões Improváveis gerando Inovação, do espanhol Roberto Gomes de La Iglesia, defendeu a participação de artistas nas empresas como forma de gerar inovação. "Os artistas são criativos e catalisadores de criatividade entre os colegas", disse ele. Iglesias explicou que o contexto atual ainda é confuso e ninguém sabe para onde vai e que o momento é de mudanças. "Primeiro era preciso independência, competitividade e competência para inovar", destacou. Conforme ele, este cenário mudou com a cooperação e mais ainda com a multidisciplinariedade. "Temos que ser competentes competidores e cooperativos, sem barreiras entre setores como economia e arte", salientou. "Aí estão grandes oportunidades de inovação".

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