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Especialista japonês debate modelo lean de produção em evento do Sesi

Saúde
 
O Serviço Social da Indústria (Sesi-RS) criou recentemente seu Centro de Referência em Saúde e Segurança no Trabalho, pautado em duas diretrizes principais: pesquisa aplicada à indústria e a disseminação de conhecimento, com o intuito de ampliar a oferta de serviços voltados para a promoção de um ambiente de trabalho seguro e saudável. A ideia é promover uma interação entre o Sesi, indústrias e universidades. A primeira ação do projeto foi o workshop ministrado pelo pesquisador do Instituto de Gestão e Economia na universidade japonesa de Kanto Gakuin, professor Osamu Tsukada, na tarde desta quarta-feira, na sede da FIERGS. Ele é especialista no Lean System e na disseminação global do modelo Toyota de trabalho. 
 
Tsukada abordou o modelo lean de produção, focado na redução de sete tipos de desperdícios (superprodução, transporte excessivo, processamento em si, espera, produtos defeituosos, estoques e movimentação desnecessários). Eliminando esses desperdícios, a qualidade melhora e o tempo e custo de produção diminuem. Também conhecido como manufatura enxuta, o método foi desenvolvido após a segunda guerra mundial pelo executivo da Toyota, Taiichi Ohno. Prega ainda a autonomia dos trabalhadores, que precisam compreender os processos e usar a criatividade. 
 
Ele ainda repassou informações sobre o mercado automobilístico mundial e do Brasil. Comparou a realidade nacional com a mexicana. Segundo dados apresentados por ele, por aqui existem 29 montadoras e 500 fornecedores de autopeças, enquanto no México, com 16 montadoras, há quase mil empresas da cadeia. "Mesmo com o incentivo do governo brasileiro para o uso de conteúdo local, ainda há muito para caminhar neste sentido. O grande desafio é desenvolver esses fornecedores", conclui. 
 
Já o professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) Emílio Moriguchi falou sobre o Envelhecimento dos Trabalhadores da Indústria. Segundo ele, a população mundial com mais de 65 anos terá triplicado até 2050, e o desafio é fazer com que essas pessoas tenham uma vida produtiva e com qualidade. "O ano passado foi o ano do envelhecimento. Marcou o momento que há mais pessoas com mais de 65 anos do que crianças com menos de cinco", comentou. De 2002 até 2030, a população de mais de 60 anos passará de 7% para 14%. Ele disse ainda que, hoje, 12% da população é idosa e representa 30% das internações hospitalares e 40% do uso do sistema de saúde. Ele aconselha as pessoas a se movimentar, relaxar, comer com sabedoria e ter uma rede social ativa.
 
Tsukada esteve na sede da entidade desde a terça-feira, conhecendo mais sobre as ações do Sesi, do Senai e das indústrias do Estado. Também foi apresentado ao especialista japonês o Instituto Sesi de Inovação em Gestão de Fatores Psicossociais, um projeto do Sesi Nacional, que será instalado no Rio Grande do Sul, focado em questões psicossociais que afetam cada vez mais trabalhadores no Brasil. O instituto tem o desafio de desenvolver metodologias, técnicas e ferramentas inovadoras para a gestão de riscos nesta área. 
 
FOTO: Dudu Leal