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Especialistas abordam as negociações trabalhistas em 2011

As projeções econômicas e perspectivas para as negociações trabalhistas coletivas do ano de 2011 foram temas do seminário promovido pelo Sistema FIERGS, através do Conselho de Relações do Trabalho e Previdência Social (Contrab), na quinta-feira (28), na sede da entidade. Durante o evento foram apresentadas estratégias para um ambiente favorável ao diálogo, com o objetivo de fortalecer a competitividade da indústria. "Para que as entidades profissionais e patronais obtenham êxito nas negociações, é necessária a troca de experiências e informações acerca do procedimento e das condições sob as quais se realizam. O momento demanda foco, fixação de prioridades e coordenação de ações, sendo conveniente a definição de orientações objetivas para a atuação das entidades sindicais patronais", afirmou o coordenador do Contrab, César Codorniz.

O industrial destacou ainda que a flexibilização dos direitos trabalhistas é uma questão de necessidade, de adequação à realidade do mercado de trabalho e da era globalizada, "e não mera ideologia". Para apoiar os sindicatos patronais e profissionais nas convenções e acordos coletivos, onde regulamentam as relações de trabalho para o período determinado, a FIERGS também elaborou a Cartilha de Negociações Coletivas 2011. O material possui novas orientações para os procedimentos deste ano. O objetivo da entidade, através do Contrab, é apoiar, orientar e liderar ações de defesa de interesses da indústria, para ampliar a sua competitividade nacional e internacional, sempre na busca do desenvolvimento econômico, tecnológico e social do Estado.

Em sua palestra, o advogado e conselheiro do Contrab Edson Garcez alertou que este ano reserva uma perspectiva de dificuldades para o campo das negociações trabalhistas e que será preciso muita atenção e conhecimento das leis e do cenário econômico. No Seminário Negociações Coletivas 2011, os participantes puderam ainda conhecer detalhes sobre os temas como "Participação nos Lucros e Resultados" e "Ponto Eletrônico", com os advogados e conselheiros do Contrab Benoni Rossi e Gustavo Juchem.

Dados da Unidade de Estudos Econômicos da FIERGS mostram que entre os principais desafios para 2011 estão o índice de reajuste do salário mínimo regional, que foge à realidade setorial; as pressões inflacionárias recentes; e os custos de longo prazo de aumentos acima do INPC. Nesse ponto, o Custo Unitário do Trabalho, que é visto como uma medida para comparar a mão de obra entre diferentes países, mostra que no Brasil e no Rio Grande do Sul cresce bem acima das nações mais desenvolvidas. Enquanto no País e no Estado os aumentos chegaram a 97% e 94,4%, respectativamente, entre 2001 e 2009, no Japão, por exemplo, esse percentual foi de apenas 8,9%. Na Coreia atingiu 11,6% e no reino Unido, 23,6%. Nos Estados Unidos houve uma queda de 15,1% e em Taiwan, de 28,2%. Em resumo, os custos do trabalho medido em dólares subiram no Brasil bem acima daqueles verificados em outros países.

A FIERGS alerta que a produtividade não acompanhou essa elevação. Outros indicadores apontam que a economia gaúcha cresce num ritmo mais lento do que a nacional. Nos últimos 12 meses, o faturamento e as exportações brasileiras do setor avançaram 10% e 36%, respectivamente, enquanto no Rio Grande do Sul foi de 7,7% e 3,2%. Por outro lado, a média de expansão da massa salarial regional foi de 9,8% e no Brasil, de 6,6%.

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