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Greve dos caminhoneiros e crise na Argentina provocam forte queda nas exportações gaúchas

Exportações

A greve dos caminhoneiros e a crise cambial da Argentina, principal destino de produtos manufaturados do Estado, afetaram fortemente as exportações gaúchas em maio. Mesmo com o bom desempenho das commodities – alta de 13,4%, em um total de US$ 812 milhões –, o valor embarcado pela indústria de transformação (US$ 940 milhões), foi 10,6% menor no mês, em comparação ao mesmo período de 2017. Já para o país vizinho, a redução foi de 22,2%. Como consequência dessas dificuldades, as exportações totais do RS também tiveram queda: 0,8%, totalizando US$ 1,77 bi. “O Rio Grande do Sul deixou de faturar mais de US$ 271 milhões com as exportações por conta da paralisação dos caminhoneiros. Mesmo que parte das mercadorias ainda possa ser comercializada com o exterior nas próximas semanas, existem custos arcados pelo nosso setor de difícil mensuração, como frete, acomodação dos bens, multas, perda de credibilidade junto aos mercados consumidores, entre outros”, explica o presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (FIERGS), Gilberto Porcello Petry.

Entre os 23 subsegmentos que registraram alguma operação de exportação em maio, 18 registraram queda. Essa elevada dispersão de resultados negativos não era vista desde abril de 2016, em um dos piores momentos da crise econômica do Brasil. As principais influências negativas foram de Químicos (-38,4%), Couro e calçados (-34,9%), Tabaco (-25,6%), Alimentos (-7%) e Máquinas e equipamentos (-31,7%). O setor secundário só não caiu mais por conta do desempenho de Celulose e papel, que cresceu 200%.
As importações totais, por sua vez, subiram 11,7% no Estado, fechando em US$ 789 milhões. Bens intermediários (23,2%), Combustíveis e lubrificantes (19,7%) e de Capital (5%) aumentaram, enquanto Bens de consumo caíram 18,9%.

No acumulado do ano, entre janeiro e maio as exportações gaúchas foram de US$ 9,19 bilhões, o que representa alta de 39% em relação ao mesmo período de 2017. Desse total, a indústria foi responsável por US$ 6,83 bilhões, elevação de 45,8%. Os melhores resultados vieram de Outros equipamentos de transporte (19.300%), Celulose e papel (114%), Tabaco (65,9%) e Máquinas e equipamentos (47,9%). A categoria de Químicos (-13,1%) registrou a perda mais significativa.

PERDAS NO PAÍS
O valor das mercadorias que deixaram de ser embarcadas no mês passado em nível nacional por conta da greve dos caminhoneiros alcançou US$ 2,94 bilhões, segundo estimativa da Unidade de Estudos Econômicos da FIERGS. Se convertido pela taxa de câmbio vigente no momento, da ordem de R$ 3,80, o total foi de R$ 11,2 bilhões. Desse montante, coube ao Rio Grande do Sul arcar com US$ 271 milhões (R$ 1,03 bi).