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Indústria gaúcha tem desempenho negativo em abril

Depois de terminar 2013 em queda e começar o ano com forte alta, a atividade da indústria gaúcha fechou abril com um recuo de -1,5%, na comparação com março, descontados os efeitos sazonais. Esta segunda desaceleração consecutiva foi influenciada pela compra de insumos e matéria-prima (-1,1%), massa salarial (-0,7%), emprego (-0,5%) e utilização da capacidade instalada (-0,3%). O resultado só não foi pior devido aos avanços no faturamento (1,5%) e nas horas trabalhadas na produção (0,8%).

"Por qualquer ângulo que se examine os números, não encontramos indícios de reversão do cenário de dificuldades no curto e médio prazo. Ao contrário, os sinais para os próximos meses são desalentadores. As sondagens recentes com os empresários demonstram a deterioração acentuada da confiança no cenário atual e nas expectativas com o futuro", alertou o presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (FIERGS), Heitor José Müller.

Este padrão oscilatório, captado pelo Índice de Desempenho Industrial (IDI-RS), vem desde abril do ano passado, período em que atingiu seu maior nível pós-crise. A tendência declinante ocorreu a partir de novembro, quando as variações negativas começaram a superar as positivas. "Agora o setor está no mesmo patamar de dois anos atrás", lamentou Müller.

Na avaliação anual, a retração do IDI-RS chegou a -6,9% em relação a abril de 2013, a maior desde novembro de 2009. Nessa base de comparação, apenas a massa salarial esteve positiva (0,6%), enquanto as desacelerações ocorreram nas compras de insumos e matérias-primas (-18,2%), faturamento (-6,3%), horas trabalhadas na produção (-5,9%), utilização da capacidade instalada (-4,0%) e emprego (-0,7%). Dos 17 setores com maior impacto na indústria do Estado, 13 recuaram. Os piores resultados foram em metalurgia (-11,5%), vestuário e acessórios (-11,2%), químicos (-11%), têxteis (-8,4%), máquinas e equipamentos (-7,9%) e couro e calçados (-6,7%). Apresentaram crescimento alimentos (2,6%), bebidas (3,7%), produtos de madeira (4,0%) e borracha e material plástico (1,6%). Uma parte desse resultado foi influenciada pelo menor número de dias trabalhados. No ano passado, o feriado da Semana Santa caiu em março e o de Tiradentes, no fim de semana.

Este cenário de abril acabou puxando para baixo o resultado da soma dos quatro primeiros meses de 2014 (-2,0%).

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