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Economia

Indústria gaúcha indica a menor intenção de investir em seis anos

A proporção de empresas da indústria gaúcha que investiu em 2015 foi de 70%, patamar mais baixo de toda a série histórica, iniciada em 2010. Foi o que apontou a pesquisa Investimentos da Indústria do Rio Grande do Sul, divulgada nesta quarta-feira (27) pela Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (FIERGS). O estudo ouviu 216 empresas, sendo 27 pequenas, 33 médias e 157 grandes.
 
A incerteza econômica (80,9% das respostas), a reavaliação da demanda e a elevada ociosidade (54,4%) foram os principais obstáculos para a realização dos investimentos em 2015. O custo do crédito também foi apontado como entrave por 35,3% dos entrevistados. No ano anterior o problema foi indicado por 15% das empresas. Com 25% das respostas, a dificuldade de obtenção de crédito e aumento inesperado no custo tiveram 25% dos apontamentos, ante 15% e 10%, respectivamente em 2014. “Por um lado, a situação econômica fez com que as linhas de financiamento se tornassem mais escassas. Por outro, a retirada de incentivos fiscais e os reajustes em insumos importantes para a produção, como energia elétrica e combustível elevaram os custos do setor”, disse o presidente da FIERGS, Heitor José Müller, ao avaliar a pesquisa.
 
Somente 46,7% conseguiu realizar os investimentos programados para o ano, número que também é o mais baixo já registrado. Para 50,4% a efetivação dos projetos foi parcial, enquanto 0,7% transferiu os investimentos para 2016 e 2,2% adiou ou cancelou os planos. As aquisições de máquinas e equipamentos, que viabilizam o aumento da capacidade produtiva das indústrias também foram afetadas e recuaram de 92,2% em 2014 para 87,9% em 2015.  Os resultados acompanham o quadro de deterioração da economia e os níveis de confiança historicamente baixos do empresariado.
 
O estudo mostra ainda que a maior parte das empresas (66,3%) utilizaram recursos próprios para os investimentos, o maior percentual em seis anos de pesquisa.  Outras fontes de financiamentos foram: bancos oficiais de desenvolvimento (15,7%), bancos comerciais privados (7,8%) e públicos (7,4%).
 
Perspectivas para 2016 - Se o ano de 2015 não foi propício ao investimento as perspectivas para esse ano se mantêm desfavoráveis. Para 37,9% dos entrevistados, a capacidade produtiva é mais do que suficiente para atender a demanda de 2016. Já 54,7% avalia sua capacidade como suficiente, enquanto apenas 7,5% julgam pouco suficiente sua capacidade para atender a procura esperada para o ano. Em 2015, 11,3% das empresas indicavam falta de capacidade instalada.
 
 O cenário econômico nacional desfavorável e a falta de confiança dos empresários no futuro dos negócios impactaram na intenção dos investimentos para 2016.  Das empresas entrevistadas, apenas 59,9% pretendem realizar investimentos, um novo recorde negativo da série histórica. Os recursos serão utilizados principalmente para dar continuidade a projetos anteriores (73,5%). Já a intenção de investir em novos projetos foi citada por 26,5% dos entrevistados.
 
Das empresas que não planejam realizar investimentos nesse ano, a incerteza econômica é apontada por 92,6% do total para a falta de um projeto. Em seguida vem a reavaliação da demanda e ociosidade elevada (54,3%), custo do crédito (43,2%), dificuldade na obtenção de financiamento (27,2%) e aumento inesperado no custo previsto do investimento (12,3%).  "A falta de uma perspectiva de melhora no quadro econômico do país leva ao adiamento dos novos projetos de investimentos. Na medida em que os empresários vislumbrarem uma reversão dessa conjuntura, a tendência é que ocorra uma reavaliação da necessidade de adequação da capacidade produtiva", comentou Müller.
 
Entre os principais objetivos dos investimentos em 2016, melhorar o processo produtivo foi apontado por 49,5% de indústrias. Em 2015 o item teve 45,3% das respostas. Já a introdução de novos produtos será a meta de 20% das empresas, ante 17,2% da última pesquisa. A intenção de comprar máquinas e equipamentos em 2016 foi sinalizada por 91,5%, ante 94,7% do ano anterior. O estudo também mostra uma queda na propensão das compras de máquinas e equipamentos importadas (68,5%) e retração na intenção de investimento no mercado interno, passando de 71,4% em 2015 para 56,3% em 2016. Em contrapartida, o número de empresas que pretende investir igualmente no mercado interno e externo subiu de 22,4% para 37,8%. Não existe a intenção de investimento exclusivo no mercado externo, embora 5,9% das indústrias o tenham como foco mais relevante em comparação com o interno (4,1% em 2015). A forte crise no mercado doméstico e a desvalorização da taxa de câmbio, que aumenta a competitividade das mercadorias no exterior, explicam esse resultado.
 

 

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