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Mundo será multipolar, diz Roubini

O economista Nouriel Roubini afirmou nesta terça-feira, na FIERGS, que a médio prazo haverá mudanças radicais no papel das potências econômicas mundiais, com a redução de poder do G7 (Estados Unidos, Reino Unido, Japão, Canadá, Itália, Alemanha e França) e maior participação do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China). "A crise dos Estados Unidos já está afetando as economias avançadas, que viverão uma recessão crescente", disse ele. "Os mercados emergentes, porém, terão como conseqüência principal a desaceleração, mas a continuidade garantida do crescimento", destacou. "O preço das commodities vão diminuir em cerca de 15%, sendo que já caíram 15%, as exportações e importações também terão uma queda, haverá menos capital nos mercados pois os investidores terão menos dinheiro", explicou.

Em sua palestra "Cenário Global Econômico e suas Implicações para o Brasil", promovida pelo Instituto Euvaldo Lodi (IEL-RS), enfatizou que o mundo está num ciclo de queda, mas "a boa notícia é que os mercados perceberam que precisam ter políticas econômicas mais robustas". Roubini opinou ainda que é preciso superávit primário para ajudar na liquidez, assim como regulamentação do sistema financeiro, "que não há nos Estados Unidos, mas existe no Brasil, por exemplo".

Nouriel Roubini observou que a opinião dele é diferente da maioria dos estudiosos norte-americanos. O economista acredita que a recessão dos Estados Unidos não será curta e nem superficial. "Deverá alcançar os 18 meses, isto é, até a metade de 2009 e não somente seis meses como dizem", analisou, lembrando que a crise imobiliária é grave, com milhões de casas vazias nos Estados Unidos e os preços, que já caíram 20%, poderão atingir 35%. "O prejuízo do setor imobiliário deverá ser de US$ 1 trilhão", disse. Outro motivo apontado pelo economista nascido na Turquia e que hoje leciona na Universidade de Nova York é a queda de consumo do norte-americano de uma forma geral e a conseqüente inadimplência. "Não é só o sistema imobiliário, mas todo o sistema financeiro, os cartões de crédito, financiamentos estudantis e de carro. A perda é de quase US$ 3 trilhões", concluiu.

Conforme o palestrante, o Reino Unido, Japão, Canadá, Itália, França, Alemanha e outros países da Europa também estão com crise imobiliária, de crédito e liquidez, impedindo que estes invistam. "Toda a Eurozona está iniciando uma contração econômica", contou ele, que ainda ressaltou os problemas na Ásia. "No Japão, o preço do petróleo, a diminuição das exportações aos Estados Unidos e o enfraquecimento do iene são os fatores principais da crise econômica", argumentou.

O evento integra o Programa de Educação Empresarial do IEL-RS, que promove na próxima semana (26 de agosto) a palestra do professor do Insead, James Teboul, "Serviços em Cena − O Diferencial que Agrega Valor ao Seu Negócio".

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