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Restrição de gás à indústria do Sul só será resolvida no médio prazo

Empresas que queiram passar a utilizar gás natural ou ampliar seu uso não ouviram perspectivas de soluções de suprimento no curto prazo durante a reunião do Fórum Industrial Sul, realizada nesta sexta (10) para debater as perspectivas para o setor, na Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC). Presente no evento, o secretário do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, destacou os esforços de exploração de gás em terra, mas afirmou que a ampliação da oferta do insumo só virá no médio e longo prazo.

O consumo de gás no Sul é de 4,8 milhões de m3 por dia. Em Santa Catarina, o consumo atual, de acordo com dados da SC Gás, é de 1,8 milhão de m3 por dia, mas a demanda é de 3,9 milhões/dia. A distribuidora catarinense possui contrato de fornecimento com a Petrobras de 2 milhões de m3 de gás por dia. Mas por restrições da oferta do insumo e na infraestrutura, não pode aumentar esses volumes. A indústria é a principal responsável pelo consumo do gás, com 80%.

"A atração de novos investimentos para a região Sul está relacionada à disponibilidade de gás. Por isso, precisamos discutir melhorias na infraestrutura de transporte, estratégias de fornecimento, entrada de novos players e o papel das agências reguladoras", ressaltou o presidente da FIESC, Glauco José Côrte, destacando ainda a necessidade de tarifas competitivas. Posição parecida vem do presidente da FIERGS, Heitor Muller. "Precisamos melhorar a oferta de gás para que não percamos indústrias para outras regiões ou países onde não há problemas de infraestrutura", afirmou. "Um seminário como esse traz uma ampla discussão, com novas informações. Infelizmente elas não são tão boas notícias para a indústria do Sul. Mas é importante a união dos três Estados, especialmente das três federações trabalhando em conjunto, porque se nós formos reivindicar é melhor que seja em três", disse o presidente da FIEP, Edson Campagnolo.

Segundo Zimmermann, do Ministério de Minas e Energia, os planos de melhoria na oferta de gás à indústria ainda dependem do Planejamento Decenal (PMAT), prometido ainda para o primeiro semestre, e que traz o planejamento para 10 anos. "Hoje nós chegamos ao patamar de setenta milhões de metros cúbicos por dia. Por outro lado, o governo está lançando um plano de ação para que já neste ano tenhamos rodadas de licitação de áreas com perspectivas de gás", afirmou. O Brasil não tem grandes reservas de gás provadas hoje. São em torno de 15 trilhões de pés cúbicos, mas com um potencial estimado de avançar 30 vezes isso, chegando a 400, 500 trilhões pés de gás convencional e não convencional, informou Zimmerman. "Há um esforço muito grande do governo de licitar estas áreas que tem potencial. Em outubro nós vamos ter a primeira grande rodada de licitação de gás em terra", afirmou.

O gerente-geral de mercado da Petrobras, Carlos Augusto Pereira, também destacou a tendência de exploração de gás em terra no território nacional, mas ressaltou, por outro lado, que o Brasil está investindo na Bolívia e buscando a garantia do cumprimento dos contratos.

Já o ex-secretário do Ministério de Minas e Energia, Benedito Carraro, questionou a falta de perspectivas de curto prazo para melhorar a oferta de gás. "Resta à indústria a busca de alternativas", disse.

Também participaram do evento o diretor presidente da SCGÁS, Cósme Polêse, o presidente da Sulgás, Roberto da Silva Tejadas, o gerente de planejamento da Compagas, Paulo Rogério Scholl, e o gerente comercial da Chemtech, Rafael Teixeira da Silva Ribeiro.

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