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Tecnologia, internet e qualificação dos professores são fundamentais para mudar a educação no Brasil e no mundo

Mais de 30% dos estudantes brasileiros que chegam às universidades são analfabetos funcionais. O dado apresentado pelo diretor adjunto de Educação e Tecnologia da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Sérgio Moreira, na abertura do painel Educação e Tecnologia na Construção do Futuro, mostra que as falhas no ensino do País vêm da base e acompanha os alunos até a graduação. "Temos muitas experiências de qualidade, mas a grande maioria das pessoas ainda está em escolas que utilizam as mesmas metodologias de um século atrás", declarou Moreira. Para mudar esse quadro, a tecnologia e a internet, além da qualificação e maior remuneração dos professores, se tornaram aliadas na inovação do ensino. "Mesmo os jovens mais excluídos da sociedade, atualmente, têm algum tipo de acesso à web", afirma Moreira, moderador do painel.

Um desses exemplos é a Khan Academy, uma escola totalmente virtual e gratuita que oferece vídeos e exercício online, que acompanham o estágio em que cada aluno se encontra. "Não podemos padronizar o aprendizado, cada um tem seu ritmo e é nisso que a metodologia trabalha. Apostamos na aprendizagem com base em projetos coletivos", avalia um dos responsáveis por difundir e implementar os métodos, Sundar Subbaratan. Seu companheiro de trabalho, Bilal Musharraf, coordenador das operações globais de tradução do projeto, reforça que "nosso lema é oferecer educação de classe mundial gratuita para todos". Hoje, são 216 países utilizando a ferramenta, que gera relatórios de desempenho de cada aluno. A experiência está sendo aplicada no Brasil, em 20 escolas públicas municipais do Estado de São Paulo. O caso foi relatado pelo diretor-executivo da Fundação Leemann, Denis Mizme. "Ainda é cedo para termos resultados pontuais, mas já observamos uma motivação muito maior entre os jovens participantes da experiência", contou. Os vídeos na língua portuguesa são o segundo mais acessado dos 24 idiomas disponíveis.

O professor e psicopedagogo Celso Antunes declarou que apesar da baixa qualidade das escolas no Brasil, há o que ele chama de "ilhas de exceção" e elas estão distribuídas por todas as regiões, das mais ricas às mais pobres. Ele defende que essas experiências positivas trazem quatro pilares a serem estendidos às escolas tradicionais: promoção do diálogo entre o professor e aluno − que deve deixar de ser apenas um receptor da informação, reestruturação do currículo com novas disciplinas,

simplificação de conteúdos e estímulo às competências. "Acredito que a tecnologia traz benefícios para a educação, mas de nada adianta se não for bem aplicada, com bons professores para orientar", defende Antunes.

Já o pesquisador e escritor do Reino Unido Andrew Hargreaves abordou o caso da Finlândia, considerada uma referência na área da educação. Nos anos 90, o país passou por uma crise financeira, que elevou os índices de desemprego para 20%. Encontrou no investimento na qualificação do ensino um propulsor do sucesso econômico. Em uma década, o país tornou-se a nação, fora da Ásia, com os índices de educação mais elevados do mundo. "Na Finlândia, os professores são muito qualificados e bem remunerados, a concorrência para atuar na área é muito grande. Somente os melhores alunos viram mestres", relatou, lembrando que a realidade é muito diferente se comparada a outros países como o Brasil e outros integrantes dos BRICs.

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