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Consciência da sociedade e colaboração entre seus entes são fundamentais para se vencer os desafios e alcançar uma Economia Circular.  Este foi o pensamento comum entre todos os palestrantes dos três painéis do seminário Circulando – A Relação Indústria e Economia Circular, realizado na manhã desta quinta-feira, durante a 30ª Mercopar, em Caxias do Sul. O evento, promovido pelo Conselho de Meio Ambiente da FIERGS (Codema), em parceria com o Instituto Euvaldo Lodi – IEL-RS e com apoio do Sebrae RS, teve como o objetivo difundir os princípios de circularidade e o desenvolvimento de novos mercados e cadeias produtivas para a indústria do futuro.

No primeiro painel A visão da Indústria sobre a Economia Circular , o especialista em Sustentabilidade da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Sergio Monforte, explicou que a implementação da Economia Circular surge como contraponto à linear e busca a redução de custos e de perdas na produção e o desenvolvimento de novos elos na cadeia produtiva, como, por exemplo, o fomento do mercado de troca de resíduos. “Em pesquisa realizada pela CNI em 2019, apesar de 70% dos empresários afirmarem desconhecer a Economia Circular, 76,5% das indústrias já desenvolviam alguma iniciativa neste sentido”, disse ele. Entre as ações levantadas na pesquisa, encontram-se a otimização de processos (56,5%), o uso de insumos circulares (37,1%) e a recuperação de recursos (24,1%). Além disso, mais de 88% dos entrevistados avaliaram a Economia Circular como importante ou muito importante para a indústria brasileira. “A cooperação e a conscientização são fundamentais para se chegar na Economia Circular”, disse.

O presidente do Sindicato das Indústrias de Material Plástico no Estado do Rio Grande do Sul (Sinplast-RS), Gerson Haas, afirmou que destinar corretamente os resíduos é um grande passo para a Economia Circular. “Hoje 20% do plástico é reciclado e se obtém uma economia de R$ 12 bilhões. Com a educação e a conscientização das pessoas, se aumentar este percentual se obterá uma economia em energia ainda muito maior”, lembrou ele, ressaltando que a indústria de plásticos hoje representa mais de 26,5 mil empregos em cerca 1.200 indústrias. “Nos 497 municípios do Estado, há pelo menos uma empresa da cadeia do plástico”, disse ele. Haas falou da campanha da Tampinha Legal, que este ano completou cinco anos e já arrecadou R$ 1,5 milhão para entidades assistenciais e que está ampliando seu escopo com o Copinho Legal e o Canudinho Legal.

O segundo painel Economia Circular na Prática trouxe cases de empresas que já estão atuando com Economia Circular. O empreendedor e desenvolvedor de negócios especializado em ESG e sustentabilidade, Ties de Leijer, falou da indústria calçadista Boaonda, da Sapiranga (RS) que fabrica sapatos de plástico. “Em janeiro de 2020 eles produziam 3 mil kg de resíduos plásticos e tinham custos altos com energia elétrica. Com um investimento em uma máquina, e a conscientização e colaboração dos funcionários, eles hoje usam 60% do próprio resíduo como matéria-prima”, detalhou. Leijer contou ainda que a empresa tem 100% do plástico e do alumínio reciclado, 100% de energia renovável e o carbono é compensado com a plantação de árvores na comunidade. “Os resultados foram sustentabilidade econômica (com redução de custos), social (com treinamento e conscientização dos funcionários) e ambiental (desenvolvimento de um calçado sustentável e uma grande redução de resíduos)”, afirmou ele.

Com mediação do empresário Guilherme Sebben, CEO da Biosys Ambiental e integrante do Codema, o painel contou ainda com os cases da Braskem e da Enel. Cristiane Rossi, líder da área de Projetos e Processos de Economia Circular na Braskem, contou o processo de circularidade das embalagens da empresa, que conseguiu desenvolver uma metodologia exclusiva. Desde o ano passado, a embalagem de Sempre Livre é feita com 33% de resinas recicladas da Braskem. Estratégia de economia circular da Enel Brasil, foi o case apresentado pelo especialista da empresa, Roberto Bomfim. “Nosso pensamento é em criar cidades circulares, mais inclusivas, inteligentes, seguras, conectadas, mais verdes e mais colaborativas”, contou. Neste sentido, a empresa busca incentivar que haja novas receitas, redução de custos e foco na inovação.

No terceiro painel, o coordenador do Codema da FIERGS, Newton Battastini, explicou a necessidade de união de esforços para promover a Economia Circular. “A indústria vem abrindo discussões com iniciativas importantes. Ainda há muito para aprender, mas já temos essa cultura”, destacou. “É preciso uma conscientização maior de todos, da população. Tudo acontece pela educação”, lembrou. Battastini conduziu o painel Promovendo a Economia Circular que teve ainda a participação da vice coordenadora de Pós Graduação em Economia Circular da Ufrgs, Ghissia Hauser, do secretário Adjunto do Meio Ambiente e Infraestrutura do RS, Guilherme de Souza e do diretor do Escritório de Apoio a Negócios dos Países Baixos para o Sul do Brasil (NBSO), Richard Posma.

 

Assista o evento na íntegra:

Publicado Thursday, 7 October 2021 - 4h59