Debates e atualizações sobre as mais recentes regulamentações ocorreram durante o 6º Seminário de Segurança e Saúde no Trabalho (SST), realizado pelo Sistema FIERGS, por meio do Conselho de Relações do Trabalho (Contrab), em parceria com o Serviço Social da Indústria (Sesi-RS), nesta sexta-feira (24). O evento marcou também a apresentação da nova Cartilha de Ergonomia e de um panorama sobre as normas regulamentadoras, além dos fatores psicossociais e seus desafios de implementação.
Para o diretor do CIERGS e vice-coordenador do Conselho de Relações do Trabalho (Contrab), Eduardo Lima Cervelin, o seminário é uma oportunidade de aprofundar o debate sobre temais atuais e estratégicos relacionados a SST. “Esses temas são fundamentais para a construção de eventos laborais mais equilibrados e sustentáveis e marca o compromisso do Sistema FIERGS com a promoção de ambientes de trabalho mais seguros, saudáveis e produtivos”, destacou.
Como destaque do encontro, esteve a apresentação da nova Cartilha de Ergonomia. O material foi uma iniciativa do Sistema FIERGS, por meio do Conselho de Relações do Trabalho (Contrab) e do Grupo de Estudos do Ambiente do Trabalho (Geat) junto ao Sesi-RS. Segundo a ergonomista e conselheira do Contrab, Jacinta Sidegum Renner, a atualização da cartilha era necessária diante das mudanças ocorridas desde sua elaboração, em 2018, e da reformulação da Norma Regulamentadora nº 17 (NR-17) da ergonomia, em 2022. “Neste período, o conceito segue o mesmo, que é estabelecer as diretrizes e os requisitos que permitam a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar conforto, segurança, saúde e desempenho eficiente”, explicou.
O objetivo da cartilha é fornecer informações e dar subsídios em relação a conceitos e aplicações práticas da ergonomia, especialmente para as pequenas e médias indústrias e profissionais. O material aborda os principais temas da norma, como organização do trabalho, pausas e alternância de tarefas, movimentação manual de cargas, adequação do mobiliário, uso correto de máquinas e ferramentas manuais e ações preventivas para reduzir riscos à saúde. Reforça ainda que a ergonomia deve ser vista como uma estratégia de gestão voltada ao bem-estar dos trabalhadores e ao aumento da produtividade e sustentabilidade das empresas.
Engenheira civil e de segurança do trabalho e especialista em Política e Indústria na Gerência-Executiva de Relações do Trabalho da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ana Fechine apresentou um panorama sobre o processo de revisão das normas regulamentadoras (NRs) e destacou a importância da participação da indústria na construção das políticas de segurança e saúde no trabalho. Segundo ela, a NR1 passou a ter papel central ao estabelecer diretrizes gerais e integrar as demais normas, reforçando a importância de uma abordagem sistêmica. Já a advogada e conselheira do Contrab Gisele Garcez abordou especificamente sobre as normas regulamentadoras números 1 e 5, destacando a relevância dessas normas para a prevenção do assédio moral e para a promoção da saúde mental no ambiente de trabalho.
Por sua vez, a especialista em Saúde na Gerência de Saúde Mental e Inovação do Sesi Graziela Alberici abordou os fatores psicossociais e os desafios da sua implementação. Segundo ela, “a NR1 traz essa necessidade de olhar para os riscos psicossociais junto aos demais, que já eram avaliados. No entanto, são riscos mais subjetivos, mas que dizem respeito à organização do trabalho”, disse. Entre os fatores psicossociais destacados estão excesso de carga de trabalho, exigência de tempo e ritmo, aspectos cognitivos do conteúdo, relações de hierarquia e a atuação das lideranças.