Você está aqui

Desafios e caminhos para a integração regional e a facilitação do comércio na América Latina foram debatidos nesta terça-feira (25), durante painel do 1º Congresso Brasileiro de Comércio Exterior. Promovido pelo Sistema FIERGS na sede da entidade, em Porto Alegre, o evento reunirá mais de 30 palestrantes até esta quarta-feira (26) para tratar de temas fundamentais para a ampliação das vendas externas do setor produtivo gaúcho e brasileiro.  

O painel contou com a participação do coordenador-geral de Regimes de Origem no Departamento de Negociações Internacionais da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Thalis Rafael Figueiredo Silva, e do diretor do Departamento de Integração Física e Digital da Associação Latino-Americana de Integração (Aladi), Rafael Laurentino. A mediação foi do coordenador da Unidade de Serviços e Operações de Comércio Exterior do Sistema FIERGS, Gilmar Caregnatto. 

Caregnatto destacou que o debate sobre integração regional e facilitação do comércio é fundamental para o desenvolvimento econômico do Brasil e, principalmente, para o fortalecimento da competitividade das indústrias. Também reforçou a importância dos acordos internacionais de comércio na construção de alternativas para períodos mais difíceis, como o enfrentado durante o aumento das tarifas dos Estados Unidos.  

“Quando falamos em integração regional, estamos falando em aproximar economias, reduzir barreiras e criar condições para que o comércio flua de forma eficiente. Um dos instrumentos que pavimenta essa facilitação é a criação e instauração de acordos internacionais. Esses acordos são importantes porque oferecem oportunidades de ampliação de mercados para as empresas e servem como instrumento de política industrial, já que podem modificar a forma como as cadeias produtivas se organizam”, disse Caregnatto.  

De acordo com o diretor da Aladi, o atual momento do comércio internacional é bastante desafiador, mas serve como uma oportunidade para enfrentar alguns problemas relacionados a quatro pilares: infraestrutura, logística, facilitação de comércio e transporte. Rafael Laurentino apontou que a Aladi é composta por 13 países que, juntos, formam uma rede de 105 acordos regionais: “É um número grande, mas o aproveitamento desses acordos é muito baixo. O desafio é encontrar e combater as razões desse baixo aproveitamento. Trabalhamos enfrentando esses desafios pontualmente para unificar os 13 países e tornar a América Latina mais forte. Se atacarmos os quatro pilares, falaremos de temas muito interessantes para resolver as questões problemáticas e tornar nossas empresas e indústrias mais competitivas."  

O representante do MDIC ressaltou que o governo federal entende como fundamental transformar o Brasil em um motor de exportações e que há um esforço para aumentar a rede de contatos comerciais do país. “Temos amplas condições estruturais de nos tornarmos ainda mais destacados na região, mas temos desafios pela frente. O Brasil não possui um acordo amplo com o México, a segunda maior economia da região, o que enfraquece os movimentos de integração regional. Mas buscamos uma política de estado que ultrapassa governos e a ampliação da nossa rede de contatos e acordos”, enfatizou Thalis Silva, citando acordos em negociação e recentemente concluídos.   

O painel abordou, ainda, os benefícios da expansão das redes de acordos regionais e extrarregionais, a ampliação da integração das cadeias produtivas regionais, o aumento da participação digital, a interoperabilidade dos sistemas regionais de comércio e a defasagem na atualização dos acordos. O evento conta com apoio do Sebrae-RS e ApexBrasil.

Publicado Terça-feira, 25 de Novembro de 2025 - 15h15