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“O perfil das infrações cometidas por jovens está mudando. O furto e o roubo estão cada vez mais dando lugar a crimes violentos e que envolvem as redes sociais”. Com este alerta, Gabriela dos Santos Lusquiños, promotora de Justiça da Infância e da juventude do Rio de Janeiro e referência no tema no país, começou sua palestra no Teatro FIERGS. O evento, que buscou promover respeito e empatia no ambiente escolar e nas redes sociais, reuniu nesta terça-feira (10) alunos do 1º e 2º anos do Ensino Médio de oito escolas do Sesi-RS (Sapucaia, Gravataí, Montenegro, São Leopoldo, Canoas, Lajeado, Bento Gonçalves e Novo Hamburgo). O encontro integrou o Protocolo Eu Te Vejo, projeto preventivo contra a violência escolar e o cyberbullying desenvolvido pela Vara da Infância e Juventude do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), que busca mapear pontos sensíveis e propor estratégias de acolhimento. 

Durante a palestra, Gabriela alertou que atos infracionais envolvendo roubo e furto vêm dividindo espaço com crimes mais violentos, muitas vezes articulados em plataformas online como o Discord. Para ilustrar a gravidade, a promotora citou a minissérie britânica "Adolescência" - lançada em 2025 pela Netflix, retrata um crime cometido por um jovem de 13 anos motivado por bullying digital. Gabriela reforçou que a mesma dinâmica é vista em crimes registrados por todo o Brasil. 

"Tudo o que você faz na internet deixa rastro. Cuidado com o que você compartilha, mesmo em redes sociais só com amigos", alertou a palestrante aos estudantes. Gabriela também abordou temas como racismo, homofobia e capacitismo ao longo da conversa. Para buscar soluções conjuntas, interagiu com os jovens e convidou alunos ao palco para esclarecer dúvidas e ouvir suas ideias. Ela incentivou o uso positivo das redes: "Aproveitem o potencial da internet para compartilhar coisas boas, mensagens positivas, e não conteúdos nocivos". Para encerrar o encontro, a promotora deixou um convite direto à reflexão e ao cuidado: "E você, o que decide fazer hoje?". 

APRENDIZADO 
A abordagem gerou impacto e emoção entre o público presente. Para Cassiano Zolet Busatto, professor de Física da Escola Sesi de Lajeado, é fundamental fazer com que os jovens pensem sobre questões que os impactam diretamente, como a exposição nas redes sociais. "É essencial criarmos esse repertório nos estudantes e ter conhecimento sobre os crimes que são mais cometidos, ouvir pessoas que têm conhecimento sobre isso", avaliou o docente. Busatto ressaltou a importância e o peso do encontro para a formação cidadã dos alunos. "Proporcionar essa reflexão é o grande ganho e a riqueza desse momento”, apontou. 

Entre os jovens, o sentimento foi de acolhimento e escuta ativa. "Foi um momento incrível, fiquei emocionado. É muito bacana ter uma oportunidade de adquirir novos conhecimentos e falar sobre temas que, infelizmente, são muitas vezes considerados tabus", relatou Lucas Ritter, 16 anos, aluno do 2º ano da Escola Sesi de Gravataí. A percepção foi compartilhada por Rafaela Antunes, 15 anos, estudante do 1º ano em Bento Gonçalves: "A palestra foi muito interessante e tenho certeza de que ajudou muitos dos meus amigos e colegas a se conscientizarem. Acho que para muita gente a palestra ampliou os horizontes sobre esse tema". 

Além do evento na capital, as atividades do projeto também chegaram diretamente às escolas. Na segunda-feira (9), todas as turmas do Ensino Médio da Escola Sesi de Pelotas debateram o tema. O próximo passo envolverá uma palestra online da promotora Gabriela dos Santos Lusquiños direcionada aos responsáveis dos alunos participantes, com o objetivo de estender o debate e as reflexões também ao núcleo familiar. 

Publicado Terça-feira, 10 de Março de 2026 - 13h13