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“Hoje não temos um mercado internacional fácil”, diz Barral, palestrante do 1º Congresso Brasileiro de Comércio Exterior

O cenário internacional tornou-se mais complexo ao comércio, o que tem afetado diretamente o Brasil. A avaliação é do presidente do Instituto Brasileiro de Comércio Exterior e Investimentos (IBCI) e ex-secretário de Comércio Exterior, Welber Barral, que palestrou nesta terça-feira (25) no 1º Congresso Brasileiro de Comércio Exterior, promovido pelo Sistema FIERGS. De acordo com ele, o ambiente global já não se compara à expansão vista no início dos anos 1990 e 2000. Além disso, o avanço do protecionismo e dos desvios de mercado contra países como os do Mercosul dificultam as vendas externas. “Hoje não temos um mercado internacional fácil”, resume. 

Apesar disso, Barral destaca que um dos maiores desafios está dentro de casa. Ele diz que o Brasil perde competitividade por fatores estruturais que impedem a indústria de competir em igualdade. “O Brasil perde muita competitividade por conta da burocracia, de um sistema tributário que, ainda bem, passará por reforma, por conta de um custo logístico dos mais altos do mundo e por problemas de gestão”, afirma. O especialista defende uma agenda imediata para fortalecer o ambiente interno, evitando que o país seja ultrapassado não apenas no exterior, mas também no próprio mercado. “O Brasil precisa avançar nas reformas internas”, reforça.

Barral também afirma que as empresas devem combinar eficiência doméstica com diversificação de mercados, reduzindo dependência excessiva de países como Estados Unidos, que vivem um momento “isolacionista”. “Desde criança ouvimos que não se deve colocar todos os ovos na mesma cesta. Acontece o mesmo com o comércio exterior”, afirma. Ele cita que companhias brasileiras mais internacionalizadas conseguem “dispersar o risco” quando um mercado enfrenta crise, enquanto setores industriais fortemente concentrados no mercado americano hoje sofrem mais.

Sobre as negociações brasileiras com os EUA, Barral pondera que não haverá resultados imediatos para todos os setores. “Não será este ano. É uma negociação que vai longe. Até a metade do ano que vem”, projeta. No curto prazo, ele diz que o foco deve estar em medidas de apoio à indústria, como Reintegra, drawback e financiamento.

A programação do congresso prossegue nesta quarta-feira (26), com destaque para temas como logística, infraestrutura e reforma tributária.

Publicado Terça-feira, 25 de Novembro de 2025 - 18h18