O diretor-geral da Câmara dos Importadores da República Argentina (Cira) e membro do Conselho da Agência Argentina de Investimentos e Comércio Internacional, Fernando Furci, destacou a normalização regulatória do país como um dos principais fatores que facilitaram as importações e melhoraram a competitividade. A eliminação do Sistema de Importações da República Argentina (Sira) e das Licenças Não Automáticas (LNA), a redução massiva de tarifas, o fim do Imposto Pais para bens e a integração aduaneira digital reduziram barreiras e aceleraram o processo de importação. “Menos barreiras é mais comércio real”, disse. Para ele, o ambiente atual abre mais espaço para bens de capital e insumos brasileiros. “Um mercado argentino mais saudável é um mercado brasileiro maior. A Argentina voltou a ser um destino viável para exportar a partir do Brasil”, afirmou.
Na prática, o impacto também é sentido pela indústria gaúcha Termolar. O gerente de Exportação da empresa, Elias Kerpen, afirmou que a marca, já bastante difundida no mercado argentino, vive um “processo muito mais fluido” para vender ao país vizinho, com menos burocracia e maior facilidade para ampliar sua capilaridade. Ele pondera, entretanto, que o menor poder de consumo reduz a velocidade de giro dos produtos nas prateleiras.
A visão de melhora e esperança no futuro é compartilhada pelo presidente da Interlink Cargo e CEO da Freteiro, Francisco Cardoso, que ressaltou que a confiança nos negócios foi retomada e deve se fortalecer nos próximos anos. “A Argentina ainda tem desafios, como a inflação, mas hoje o comprador pode fazer compras programadas, não apenas emergenciais. Como transportadora, dependemos desse ambiente de negócios. Dependemos que os argentinos comprem e que a gente possa seguir fazendo planos, com uma moeda estável dos dois lados”, afirmou Cardoso, que também preside a Federação das Empresas de Logística e Transporte de Cargas no Rio Grande do Sul (Fetransul). Ponderou, no entanto, que os empresários argentinos devem se preocupar em também vender ao mercado brasileiro, pois os caminhões atravessam a fronteira com mercadorias, mas voltam "quase vazios".
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL GANHA ESPAÇO
Já à tarde, a gerente de Marketing, Relacionamento e Negócios da Fundação Banrisul e cofundadora do Navi, Natália Marroni Borges, o CEO da Woopi e diretor de P&D do Stefanini Group, Alex Winetzki, e o cofundador e CEO da Onda Finance, Nildson Alves, detalharam o potencial da inteligência artificial na área de comércio exterior. Entre os temas abordados no painel, foram destacadas a evolução acelerada da IA generativa desde o lançamento do ChatGPT, no fim de 2022, e como essa dinâmica já vêm transformando processos ligados ao comércio exterior.
Os participantes destacaram que a IA tem ganhado espaço em atividades como tradução, pesquisa, análise de documentos e apoio à logística, acelerando fluxos de trabalho e aumentando a eficiência. “Não usar IA pode te deixar para trás”, observou Winetzki, apontando que o uso estratégico da ferramenta pode ser aplicado em empresas de pequeno, médio e grande porte.
Um dos pontos centrais do debate foi a diferença entre o uso individual e o uso institucionalizado da IA nas organizações. Para Winetzki, o verdadeiro diferencial competitivo surge quando a tecnologia é integrada à estratégia de negócio. “Quando a empresa entende o problema que quer resolver e institucionaliza a adoção de IA, o ganho é muito maior”, afirmou.