“Sempre amei o que faço, trabalhar é a minha vida.” É dessa forma que a professora Monica Bertoni dos Santos, 87 anos, explica o motivo de não ter deixado de exercer sua profissão, mesmo após a aposentadoria. Com uma trajetória de sete décadas dedicadas à educação, a coordenadora da área de Matemática do Serviço Social da Indústria (Sesi-RS), com ênfase na formação de docentes, continua ensinando — e aprendendo — no Instituto Sesi de Formação de Professores, onde atua desde sua inauguração, em 2023.
Natural de Porto Alegre, Monica é a caçula de quatro filhos, em uma família em que a educação e o diálogo sempre foram prioridades. Com irmãos formados em Direito, Medicina e Letras, ingressou no curso de Magistério ainda na adolescência, no Instituto de Educação General Flores da Cunha. Foi nessa época que “pegou gosto” por ensinar. “Considero o Magistério a base da minha formação como professora. No segundo ano, já comecei a trabalhar, com 16 anos. Então, são 71 anos de profissão.”
Após o casamento e nascimento das quatro filhas — Vera Lucia, Suzana, Anamaria e Cristina —, Monica começou a trabalhar e estudar no então chamado Grupo de Estudos sobre o Ensino da Matemática de Porto Alegre (Geempa), onde descobriu o amor pela disciplina que se tornaria sua especialidade. “Esse período foi muito marcante para mim, porque ali desabrochei para o que eu seria no resto da minha vida: uma professora de matemática, estudiosa de como se aprende matemática e, portanto, de como se ensina”, destaca.
Formou-se em Matemática - Licenciatura pela Faculdade Porto Alegrense de Educação, Ciências e Letras (Fapa) aos 35 anos — nessa época, trabalhava no Colégio João XXIII, onde foi professora, diretora e coordenadora pedagógica. Paralelamente, fundou uma escola inclusiva e, em seguida, começou a trabalhar na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), onde fez seu mestrado em Educação em Ciências e Matemática e atuou por 28 anos, colaborando para a formação de novos professores.
A trajetória de Monica com o Sistema FIERGS iniciou-se em 2013, quando foi convidada pela gerente de Educação do Sesi-RS, Sônia Bier, para ajudar a criar as escolas de Ensino Médio da entidade. “A primeira foi em Pelotas. E o que criamos para essas escolas era tudo o que eu sempre pensei: trabalhar com diálogo, com responsabilidade social, com o aluno sendo construtor da sua aprendizagem. E aí foram surgindo características muito próprias do Sesi, como a inovação e o empreendedorismo”, explica.




