Sistema FIERGS lança cartilha com orientações sobre ergonomia para indústrias; confira dicas
A fim de orientar as indústrias gaúchas sobre a aplicação prática das diretrizes da Norma Regulamentadora da Ergonomia (NR-17), o Sistema FIERGS está lançando uma nova cartilha sobre o tema. Elaborado pelo Conselho de Relações do Trabalho (Contrab), em parceria com o Serviço Social da Indústria (Sesi-RS), o documento é baseado na reformulação da norma, que está em vigor desde 2022 e visa estabelecer requisitos que permitam a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, proporcionando conforto, segurança, saúde e desempenho eficiente.
A Cartilha de Ergonomia é fruto de uma iniciativa do Grupo de Estudos do Ambiente do Trabalho (Geat) da FIERGS e prioriza melhorias simples, de baixo custo e de fácil implementação — o que favorece a aplicação das diretrizes especialmente em pequenas e médias empresas. O documento tem como objetivo auxiliar no esclarecimento dos principais temas abordados na NR-17, trazendo orientações relacionadas ao levantamento e transporte de materiais, mobiliário dos postos de trabalho, uso de máquinas e ferramentas manuais, bem como organização do trabalho.
De acordo com o coordenador do Contrab, Guilherme Scozziero, o material não tem caráter normativo, mas representa uma ferramenta de suporte às indústrias do Rio Grande do Sul. “Ao reunir conhecimento técnico e experiência prática, a cartilha reforça o papel do Sistema FIERGS no apoio ao setor industrial gaúcho na promoção de ambientes de trabalho mais seguros, eficientes e alinhados à legislação vigente”, destaca.
MELHORIAS SUGERIDAS
Entre os exemplos de melhorias de baixo custo, a cartilha cita a adaptação de um posto de trabalho e/ou máquina muito altos para determinado trabalhador, que implicaria na elevação dos ombros e braços para exercer sua função — aumentando a possibilidade de dor, desconforto ou processo inflamatório nos membros. Para essa situação, a mitigação do risco ergonômico poderia ser feita a partir da colocação de um tablado, com dimensões adequadas, para compensar a altura do trabalhador em relação ao alcance ideal do ponto de trabalho.
Para poder investir nessas soluções, as empresas precisam ter um olhar atento e cuidadoso sobre a forma como cada função é realizada. Assim, é necessário focar inicialmente na organização do trabalho, que se refere ao planejamento e orientação relacionados à estrutura física e organizacional, ferramentas e tecnologias que serão necessárias, os processos e mão de obra envolvida, o gerenciamento de tempo e acompanhamento das atividades.
Confira outras dicas trazidas pela cartilha para mitigar riscos ergonômicos:
- Inclua pausas mais frequentes e de curta duração ao longo da jornada de trabalho;
- Preveja alternâncias de atividades com outras tarefas que permitam variar as posturas, os grupos musculares utilizados ou o ritmo de trabalho
- Altere as formas de execução ou organizações da tarefa
- Para movimentação de cargas, evite transporte manual sempre que possível
- Use equipamentos auxiliares para movimentar cargas, como carrinhos, esteiras e talhas
- Priorize a ação de empurrar, em vez de puxar, para reduzir o esforço
- Oriente os trabalhadores sobre técnicas corretas de movimentação
- Em relação aos postos de trabalho, respeite as zonas de alcance funcional e visual
- Evite posturas forçadas como inclinação excessiva da cabeça ou braços estendidos
- Forneça cadeiras ajustáveis, com apoio lombar
- Forneça apoio para os pés para trabalhadores de menor estatura
- Priorize ferramentas com design ergonômico e superfícies antiderrapantes
- Disponibilize ferramentas que permitam operação suave sem necessidade de muita força
- Evite ferramentas pesadas
- Minimize exposição a vibrações
- Otimize o layout dos postos de trabalho, evitando deslocamentos desnecessários e posturas desfavoráveis


