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As oportunidades de interação entre o setor produtivo gaúcho e os projetos do Exército Brasileiro pautaram os debates do Comitê da Indústria de Defesa e Segurança (Comdefesa), mediado pelo diretor do CIERGS e coordenador do Comdefesa, Aderbal Lima, nesta terça-feira (19). O encontro ocorreu na sede da FIERGS e recebeu o comandante do Comando Militar do Sul (CMS), general de Exército Luís Cláudio de Mattos Basto, que apresentou os investimentos previstos para a modernização da força e fez uma introdução às atividades e capacidades do CMS. Em complemento, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) detalhou iniciativas da agência para proteger as indústrias de defesa contra a espionagem. A reunião também contou com a presença do general de Exército Edson Pujol, ex-comandante do Exército Brasileiro e conselheiro do comitê. 

Basto destacou que o Brasil possui o maior investimento bruto em defesa na América do Sul, embora o percentual de 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB) registrado em 2024 ainda seja menor do que o de países vizinhos. Para acelerar a modernização, a Lei Complementar 221 de 2025 garante R$ 30 bilhões para projetos estratégicos nos próximos seis anos. O texto cria uma exceção no arcabouço fiscal para incrementar investimentos das Forças Armadas no valor de R$ 5 bilhões de reais por ano a partir de 2026 e fora do limite de gastos orçamentários. O Comando Militar do Sul possui protagonismo nesse processo, já que concentra 76% dos blindados do país, conta com um efetivo de 53 mil homens e possui o maior poder de combate de todo o Exército Nacional. 

Para responder aos rápidos desafios globais e geopolíticos, os militares criaram a Força 40. O projeto identifica as capacidades necessárias até o ano de 2040, prevendo investimentos em novos drones, armamentos, blindados e artilharia antiaérea. "Nós temos que estar prontos com as capacidades necessárias no presente e no futuro", afirmou o general Basto. Ele ressaltou que promover a autonomia tecnológica e produtiva é um dos objetivos centrais do exército. Para isso a instituição aposta no Sistema Defesa-Indústria-Academia de Inovação, o SisDIA. A iniciativa do Exército Brasileiro é baseada no modelo da Tríplice Hélice e conecta o governo ao setor produtivo e às instituições de ensino e pesquisa para fomentar o desenvolvimento de tecnologias, produtos e soluções voltadas para a área de defesa nacional. 

ESPIONAGEM
A segurança das empresas que integram essa cadeia de fornecimento também ganhou destaque na reunião. O oficial de inteligência da Abin no Rio Grande do Sul, Sérgio Malta, apresentou o Programa Nacional de Proteção do Conhecimento Sensível. A iniciativa atua como uma consultoria para prevenir espionagem, sabotagem e vazamentos de informações, entre outros objetivos. Malta alertou que as indústrias de defesa são alvos frequentes de espionagem de estado, uma prática que não visa necessariamente o lucro e conta com recursos muito mais expressivos em comparação à espionagem corporativa tradicional. 

"É nossa intenção nos aproximar das indústrias de defesa por meio desse programa, visto o novo contexto geopolítico que nós vivemos e o aumento da atividade de espionagem de estado", explicou o oficial. Para mitigar esses riscos, a Abin realiza avaliações de segurança física, análise de documentos, checagem de sistemas de informação e revisão da gestão de pessoas. Ao final do processo as instituições avaliadas recebem um relatório completo de riscos e passam a contar com o apoio da agência para implementar políticas e normas internas de segurança. O superintendente estadual da Abin, Saulo Moura da Cunha, também esteve presente na reunião. 

Publicado Terça-feira, 19 de Maio de 2026 - 15h15