A Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (FIERGS) manifesta preocupação com a interrupção de créditos e aumento de custos financeiros para empresas em fase de recuperação das enchentes de 2024. Em documento entregue, nesta segunda-feira, ao presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, pelo vice-presidente do CIERGS Julio Ricardo Mottin, a entidade chama a atenção para uma cláusula do Programa BNDES Emergencial Automático. Ela exige a empresas incluídas no programa a manutenção ou ampliação no quadro de empregos existentes antes do desastre climático.
Mottin representou o presidente do Sistema FIERGS, Claudio Bier, na recepção realizada pela Assembleia Legislativa a Mercadante, que à tarde foi palestrante do primeiro grande debate do Fórum Democrático 2025. “Muitas indústrias atingidas estão enfrentando dificuldades involuntárias para atender a esse requisito, o que tem levado os bancos repassadores a interromper linhas de crédito ou aplicar juros mais elevados, agravando ainda mais a situação dessas empresas”, explica a FIERGS, na correspondência assinada por Bier.
Segundo a entidade, o Estado encerrou 2024 com uma taxa de desemprego de 5,2%, um dos menores patamares da série histórica, o que limita a disponibilidade de mão de obra para recomposição imediata dos quadros. Grave também, afirma a FIERGS, é o fato que nas regiões mais afetadas pelas enchentes, muitas empresas ainda enfrentam a fuga de trabalhadores devido à destruição de moradias e infraestrutura, dificultando a atração de novos colaboradores.
Outra realidade preocupante para a FIERGS decorre dos resultados divulgados pela Secretaria Estadual da Fazenda em seu boletim mensal criado para monitorar os impactos das enchentes sobre a atividade econômica. Esse boletim acompanha a proporção de empresas operando abaixo da normalidade, com base na emissão de notas fiscais eletrônicas, e aponta que estamos diante de um novo ciclo de desaceleração da atividade econômica. Vai além dos danos causados pelo desastre climático e reforça a urgência de medidas que assegurem liquidez e fôlego financeiro às empresas em fase de retomada. “Assim, a exigência rígida de manutenção ou ampliação de empregos, sem considerar as condições excepcionais pós-desastre, pode inviabilizar a recuperação de indústrias que já operam em um ambiente extremamente desafiador como demonstrado”, justifica a FIERGS.
Por fim, diante das circunstâncias, a FIERGS solicita que o BNDES apoie a reavaliação da aplicação da cláusula pelo Congresso Nacional, considerando a impossibilidade temporária de recompor integralmente os quadros de pessoal. “Acreditamos que essa flexibilização não apenas preservará empregos no médio e longo prazo, mas também garantirá que os recursos emergenciais cumpram seu propósito de reconstrução sustentável do parque industrial gaúcho”, finaliza o documento.
Ricardo Mottin esteve acompanhado pelo vice-presidente regional do CIERGS, Angelo Fontana, na recepção que contou com a presença também do presidente da Assembleia Legislativa, Pepe Vargas, entre outras autoridades.