FIERGS avalia que quadro fiscal deteriorado e incerteza no ambiente externo ajudam a explicar manutenção dos juros
Presidente Claudio Bier diz que juro alto prejudica a indústria
Atuamos a favor da indústria gaúcha estimulando a cooperação entre empresas, ampliando a oferta de produtos e serviços e apoiando o desenvolvimento de novos mercados e sua internacionalização. Juntamente com o SESI, SENAI e IEL, apresentamos soluções que aumentam a competitividade da nossa indústria.
Presidente Claudio Bier diz que juro alto prejudica a indústria
Avançar rumo a uma trajetória de redução dos juros exige um compromisso firme com o equilíbrio fiscal, capaz de resgatar a confiança e criar condições para o crescimento da produção e do emprego, meta que o governo federal ainda não alcançou, avalia a Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (FIERGS). Segundo a entidade, a incerteza no ambiente externo, potencializada pelas tarifas comerciais impostas pelo governo dos Estados Unidos, é mais um elemento que ajuda a explicar a permanência da taxa Selic em 15%. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (17), em reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.
“A manutenção dos juros em 15% reflete um cenário ainda marcado pela deterioração do quadro fiscal, pela inflação acima da meta e pela incerteza quanto aos efeitos das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos ao Brasil”, afirma o presidente do Sistema FIERGS, Claudio Bier.
O presidente Bier alerta que a política monetária restritiva impõe um elevado custo à estrutura produtiva nacional. Juros tão elevados penalizam as empresas na medida em que as taxas bancárias também permanecem altas, tornando o acesso ao crédito ainda mais caro e difícil. Ele ressalta que, na prática, o custo do financiamento para as empresas supera com folga os 15% da Selic, já que os bancos aplicam taxas adicionais e encargos que elevam significativamente o valor efetivo do crédito. “Com o spread bancário e o lucro dos bancos, essa taxa chega a 20%. Não tem atividade econômica no Brasil que resista a essa taxa de juro absurda”, reforça.
“A indústria gaúcha, em particular, tem enfrentado desafios sucessivos, da estiagem à gripe aviária, passando pelas recentes perdas de capital físico e de infraestrutura logística em decorrência das enchentes, que intensificaram os efeitos dos juros elevados”, diz. Claudio Bier lembra que a pesquisa Sondagem Industrial da FIERGS confirma que o custo do crédito segue como um dos principais obstáculos aos investimentos no setor.

