Você está aqui

Liderança feminina e o futuro da indústria foram temas de talk na Mercopar

Em um setor historicamente marcado pela predominância masculina, a presença feminina na liderança industrial ganha cada vez mais relevância e voz. Durante um painel especial na Mercopar, a maior feira de inovação industrial da América Latina, nesta quarta, 15, especialistas e empresárias se reuniram para discutir como as mulheres estão impulsionando mudanças nas empresas, especialmente em áreas como tecnologia e sucessão familiar. O bate-papo, repleto de experiências e provocações estratégicas, reforçou a importância de ampliar a participação feminina nos espaços de decisão e inovação, mostrando que diversidade é também sinônimo de competitividade.

A abertura foi feita por Carla Carnevali, vice-presidente do Comitê de Lideranças Femininas (Colife) e diretora da FIERGS, que reafirmou o compromisso do Colife com uma indústria gaúcha mais diversa e mais forte. “Estamos construindo uma rede sólida e plural. Somos 29 conselheiras, vindas de diferentes segmentos da indústria, instituições de ensino e empresas. Essa diversidade torna mais rico o nosso conselho e, consequentemente, a nossa indústria. E o nosso propósito é conectar, desenvolver e dar voz às mulheres líderes da indústria gaúcha” ressaltou.

Carla enfatizou, ainda, que o Colife acredita que quando as mulheres ocupam espaços de decisão, a indústria se transforma e desejou que o painel fosse um espaço de escuta, de inspiração e de mobilização. “Que possamos sair daqui com novas ideias. Novas conexões e, principalmente, com a certeza de que estamos moldando um futuro mais justo, mais potente e mais feliz na indústria”, analisou.

As painelistas foram a CEO da Metalúrgica Fimac, Carolina Chiao, a CEO da Piccadilly, Cristine Grings, e a doutora em Gestão de Pessoas e especialista em desenvolvimento de Inteligência Emocional, Psicologia Evolutiva e Liderança Feminina, a professora Alessandra Gonzaga. A mediação ficou por conta da jornalista Kelly Matos. Todas as participantes contaram como chegaram em posições de lideranças e os desafios e preconceitos que precisaram reverter durante a gestão das indústrias.

As principais queixas foram desde ouvir piadas e palavras de desqualificação, porque as duas CEOs são se empresas familiares até questionamentos de parte da família em relação à capacidade de gestão das empresas. Para Carolina, da Fimac, a história dela diante da metalúrgica foi de muita resiliência e teve que empreender de forma solitária e que ocupar esse lugar foi muito difícil. “Como mar calmo não faz bom marinheiro, implementei uma estratégia que foi plantar sementes da nova cultura da empresa e entender quem eu era e a minha força”, contou.

Já Cristine, da Piccadilly, que está na terceira geração de sucessão, decidiu assumir a empresa depois de alguns conflitos entre os sócios da mesma família e encarou ser CEO em uma empresa de 70 anos sempre liderada por homens. “Acredito que as mulheres possam fazer uma gestão com a mesma capacidade, e liderar a partir da própria essência e conquistar autoridade e respeito”, afirmou. A professora Alessandra disse que a liderança pode se tornar um pouco mais difícil para as mulheres porque elas têm que provar o tempo todo que são capazes. Para ela, a partir do momento em que essas mesmas mulheres se apropriarem da história de vida, a descoberta da líder está na descoberta do próprio ser humano integral.

Das 14h às 18h, o Colife promoveu uma sessão de fotos corporativas para as mulheres. O estúdio foi montado no Espaço do Conhecimento e atraiu muitas participantes que fizeram as fotos e vão recebe-las gratuitamente por e-mail.

INDÚSTRIA DELAS
Inspiração foi o tom que ditou o painel realizado na manhã desta quarta-feira. O Indústria Delas foi um convite para uma conversa sobre carreiras, possibilidades de crescimento e a importância do protagonismo feminino em todos os níveis da indústria.

Realizado pelo Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Caxias do Sul e Região (Simecs), teve a participação de Clarisa Trombini, da Tramontina; Paula Ioris, da Casa Civil do RS; e de Marcos Baptistucci, da Randoncorp; com mediação de Ubiratã Rezler, da FIERGS.

As trajetórias inspiradoras prenderam a atenção do público. De primeira mulher no setor de produção da Tramontina até se tornar a quarta diretora na organização, Clarisa destacou a força de vontade como principal motor para aumentar a participação feminina na indústria. “Precisamos nós, mulheres, querermos e buscarmos esse lugar”, afirma.

Com passagem pela indústria, pelo varejo e por cargos públicos, Paula frisou a importância de liderar pelo exemplo, a fim de multiplicar pessoas capacitadas para ocupar espaços de destaque. “É fundamental termos lideranças preparadas para inspirar, para trabalhar, para tomar a frente, sejam homens ou mulheres. Mas o feminino traz o afeto que precisamos no mundo atual”, pondera.

RESULTADOS E MUDANÇA DE CULTURA
Já Baptistucci apresentou os números conquistados pelo Jornada Delas, projeto de aceleração de carreira feminina dentro do Indústria Delas. Em cinco edições, 620 mulheres foram atendidas, das quais 98 evoluíram na carreira. “Alcançamos ainda um aumento de 262% nas candidaturas femininas a vagas de liderança e gestão na indústria”, comemora o executivo de Pessoas e Cultura da Randoncorp.

Na mediação, Rezler ressaltou que sempre houve uma divisão tácita no mercado de trabalho: mulheres no administrativo e homens na produção. “Na empresa que eu trabalhava, não era possível quebrar isso, porque não se tinha nem cultura nem ambiente para a mulher trabalhar na produção, por exemplo. As empresas têm que se modificar e, para isso, precisam estar disponíveis, abertas para essa mudança”, conclui.

“A grande porta para as pessoas é o RH. E o departamento precisa apoiar isso, precisa olhar de forma diferente. Façam esse movimento na empresa de vocês. Sem excluir os homens, pois não vamos inverter, mas vamos quebrar o preconceito”, completou Carisa.

Publicado quarta-feira, 15 de Outubro de 2025 - 20h20