No INDX, empresários ressaltam preocupação com elevação de tarifas para vendas aos EUA
Presidente Claudio Bier reforçou necessidade de diálogo entre governos para reduzir impactos da taxa de 50% sobre produtos brasileiros
Atuamos a favor da indústria gaúcha estimulando a cooperação entre empresas, ampliando a oferta de produtos e serviços e apoiando o desenvolvimento de novos mercados e sua internacionalização. Juntamente com o SESI, SENAI e IEL, apresentamos soluções que aumentam a competitividade da nossa indústria.
Presidente Claudio Bier reforçou necessidade de diálogo entre governos para reduzir impactos da taxa de 50% sobre produtos brasileiros
Durante o evento INDX, promovido pelo Sistema FIERGS nesta terça-feira (22) para marcar o primeiro ano da gestão de Claudio Bier, os empresários Antonio Lacerda, diretor-geral de Celulose da CMPC Brasil, e Nei César Manica, presidente da Cotrijal, participaram como convidados para apresentar os investimentos bilionários na indústria gaúcha. Ambos também manifestaram preocupação com as tarifas de 50% impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros.
O presidente do Sistema FIERGS, Claudio Bier, reforçou a mobilização da entidade para evitar que taxação passe a vigorar. Em reunião com o vice-presidente Geraldo Alckmin, nesta segunda-feira (21), Bier defendeu a manutenção da tarifa atual para exportações brasileiras aos EUA, evitando a entrada em vigor do aumento anunciado, ou, ao menos, a prorrogação por 90 dias do prazo para a implementação de novos percentuais. O objetivo é permitir negociações técnicas e diplomáticas, além da adoção de medidas compensatórias por parte do governo federal, caso a medida entre em vigor.
“Foi uma reunião proveitosa. Levamos diversos setores do RS para falar das dificuldades. Foi muito importante para que o governo percebesse os impactos no nosso estado. Tem empresas dando férias coletivas, outras não sabem o que fazer com seus pedidos, se produzem ou não. A insegurança é grande e pode provocar desemprego”, afirmou.
De acordo o diretor-geral de celulose da CMPC Brasil, a fábrica de celulose em Guaíba exporta para os Estados Unidos quase 30% de sua produção. No momento, as unidades do Chile estão abastecendo o mercado americano. “Assim, os clientes da Ásia serão abastecidos pela fábrica de Guaíba. O impacto, num primeiro momento, é palatável. Mas isso não é sustentável”, explicou Lacerda.
Assim como Bier ressaltou, o presidente da Cotrijal também defendeu o diálogo como caminho para resolver o impasse. “Acredito que não deve haver confronto. Há espaço para negociar as tarifas, para que o impacto seja menor”, ponderou Manica.
Dados da Unidade de Estudos Econômicos do Sistema FIERGS mostram que, no Rio Grande do Sul, cerca de 1,1 mil indústrias exportam para os Estados Unidos, o que representa 10% do total brasileiro. Nas vendas da indústria de transformação gaúcha, o mercado norte-americano responde por 11,2%, sendo o maior parceiro comercial das fábricas do Estado. Produtos de metal, máquinas e materiais elétricos, madeira, couro e calçados, além de celulose e papel, estão entre os segmentos com maior exposição ao mercado dos EUA.

