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Pesquisadora apresenta projeto que transforma lixo em fertilizante

As alternativas para resolver o problema do lixo das cidades e dos resíduos de couro das indústrias foram debatidas nesta quarta-feira (08), na FIERGS, durante o wokshop "O Uso e Reuso de Resíduos". A pesquisadora Joana Félix, com pós-doutorado em Química Orgânica Ambiental pela Universidade de Harvard (EUA) apresentou o desenvolvimento de enzimas que processam resíduos domésticos e industriais, principalmente aqueles provenientes dos segmentos de curtumes e calçadistas. O evento foi promovido através do Instituto AME − Arte, Meio Ambiente e Educação e o Banco de Resíduos, um dos integrantes da Fundação Gaúcha dos Bancos Sociais do Conselho de Cidadania da FIERGS.

A pesquisadora detalhou o processo de transformação dos resíduos em substâncias que as empresas e agricultores podem reutilizar, entre eles os fertilizantes, o cromo e o colágeno. Ela destacou que a geração de grande volume de lixo é hoje um dos maiores problemas enfrentados pelos gestores municipais e cidadãos. Além de poluição e proliferação de doenças, as cidades não têm mais local para depósito dos dejetos. "O Brasil produz 300 mil toneladas de lixo por dia. O reaproveitamento de resíduos é uma necessidade", aponta.

"A pesquisa traz soluções econômicas, sociais e ambientais. Os descartes produzidos pela sociedade geram empregos com a separação do lixo, geram faturamento e novas matérias para a indústria com a transformação e a preservação do meio ambiente, com o reaproveitamento e eliminação do lixo", salientou Joana. Para o presidente do Banco de Resíduos, Tito Goron, a FIERGS saúda a pesquisa, já que "trabalha para apoiar projetos que fazem a ponte entre geradores e usuários de reaproveitamento de resíduos".

Para o descarte doméstico, conforme a pesquisadora, o processo consiste em colocar todo lixo em grandes tanques, onde também é adicionada a enzima produzida em laboratório. Este material é transformado em fertilizante do tipo NPK, bastante utilizado pela agricultura, com a mesma qualidade daquele fabricado industrialmente. Atualmente 80% do fertilizante usado nas plantações brasileiras é importado, sob altos custos.

"Além do fertilizante, o processo recupera os aterros e acaba com lixo nas cidades já que o trabalho nos tanques resulta apenas em fertilizante e água. Não sobra outro tipo de resíduo a ser descartado", destaca. Outra vantagem apontada por Joana Félix é a significativa melhora na produção de áreas plantadas com este insumo, conforme já verificado por meio de pesquisas.

Todo lixo que é processado resulta em 10% de fertilizante e 90% de água. Essa água, inclusive, pode ser utilizada para irrigação ou ser reaproveitada em novos processamentos de resíduos. O custo de implantação do projeto é baixo, garante a pesquisadora. "São necessárias apenas a construção dos tanques e a compra das enzimas". Para cada tonelada de lixo processado, gasta-se, em média, R$ 50,00. "Há exemplos de prefeituras que gastam R$ 600,00 por tonelada para alocar os seus dejetos", compara.

Para o couro, o processo é parecido, mas outro tipo de enzima é utilizado. A partir dos descartes de couro, são extraídas substâncias como colágeno, cromo, corantes, tanino e óleo de engraxe (que é transformado em biodiesel). As substâncias extraídas, como o colágeno, por exemplo, tem um bom valor comercial, já que são utilizadas em larga escala por indústrias cosméticas e alimentícias.

Publicado quarta-feira, 8 de Outubro de 2008 - 0h00
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