Técnica do Sesi-RS, Elisiane Wolf de Fraga ministrou palestra para equipes da empresa Incocil
Foto: Incocil/Divulgação
Esse foi o caso da empresa Incocil, de Porto Alegre. Ao notar que muitos colaboradores enfrentavam dificuldades relacionadas à gestão financeira pessoal, chegando a comprometer o limite máximo de 35% do salário bruto com empréstimos consignados, a indústria, focada em inovação em cilindros, resolveu agir e contratou a palestra do Sistema FIERGS.
“Recebíamos pedidos frequentes de adiantamentos semanais, relatos de envolvimento com agiotas. Esses comportamentos demonstraram claramente que havia falta de organização e planejamento financeiro, o que nos fez acender o alerta interno e buscar uma ação preventiva e educativa”, conta Verônica Oliveira, psicóloga da área de recursos humanos da Incocil.
Observando os impactos que os trabalhadores sentem quando há problemas financeiros, Verônica concorda que isso influencia diretamente no bem-estar do colaborador e no ambiente de trabalho. “Quando alguém está com dificuldades econômicas, surgem impactos emocionais, queda na produtividade, aumento de faltas e até perda de foco nas atividades diárias. Investir na saúde financeira dos colaboradores é uma forma de cuidado e responsabilidade social”, diz.
Ainda que a iniciativa seja recente dentro da organização, a empresa afirma que já nota o efeito positivo na sensibilização dos colaboradores. “Alguns começaram a buscar orientações adicionais e demonstraram maior interesse em entender melhor suas finanças. Acreditamos que, apenas por incluir o tema no diálogo interno e demonstrar abertura para apoiar esse desenvolvimento, já estamos promovendo pequenas transformações”, avalia Verônica.
Caso semelhante aconteceu com a empresa TMSA, também de Porto Alegre, que resolveu buscar os produtos do Sistema FIERGS nessa área ao perceber aumento expressivo no empréstimo consignado na folha dos funcionários. Na visão da empresa, a educação financeira é sinônimo de saúde mental, e as iniciativas começaram a surtir efeito, com mais esclarecimento acerca das questões financeiras.
A assistente social Elisiane destaca que o workshop e a palestra utilizam, além do conteúdo técnico, humor leve, exemplos do cotidiano e reflexões práticas para que os trabalhadores se sintam à vontade para participar. Também são oferecidas dicas de organização financeira e indicações de aplicativos gratuitos que podem auxiliar na gestão do orçamento familiar, além de um guia de bem-estar financeiro. Entre as principais ações estão identificar sinas de alerta, realizar diagnóstico das contas pessoais e buscar organizar o orçamento. As empresas podem procurar o Sesi-RS por meio da Central de Relacionamento (0800 051 8555).
Confira as principais dicas para saúde financeira e acesse o guia completo aqui.
COMO IDENTIFICAR SINAIS DE ALERTA
- Atraso recorrente no pagamento de contas
- Uso frequente do limite da conta corrente
- Resistência em verificar extratos bancários
- Sensação de culpa após compras
- Empréstimos não planejados
- Dificuldade em economizar qualquer valor no mês
COMO ORGANIZAR O ORÇAMENTO
- É importante dividir o orçamento de acordo com as necessidades:
- 50% da renda para necessidades básicas
- 30% da renda para o estilo de vida
- 20% para reservas, reserva de emergência e investimentos
A reserva de emergência é um valor guardado para situações imprevistas, como doenças, desemprego ou consertos inesperados. O ideal é acumular o equivalente a três a seis meses do custo mensal da família.
PARA LIDAR COM AS DÍVIDAS
- Priorizar o pagamento das dívidas com juros mais altos, como cartão de crédito e cheque especial
- Reduzir temporariamente os gastos não essenciais
- Com disciplina e organização, é possível sair do vermelho e recuperar o controle da vida financeira
CUIDADOS COM CRÉDITO
O crédito pode ser um aliado quando usado com planejamento. O cartão de crédito, por exemplo, permite concentrar despesas e adiar o pagamento. Contudo, quando mal utilizado, vira uma armadilha: o rotativo do cartão, que é utilizado quando o pagamento da fatura é inferior ao valor total, tem juros altíssimos e pode transformar uma pequena dívida em um grande problema.
BOAS PRÁTICAS
- Estabeleça um “dia do dinheiro” na semana para rever suas finanças
- Anote todos os gastos, mesmo os pequenos
- Evite comprar quando estiver triste, ansioso ou com raiva
- Crie metas – por exemplo: guardar R$ 100 por mês para uma viagem
- Converse com a família; o cuidado financeiro é coletivo



