Sistema FIERGS reúne setor produtivo e governo para discutir avanços do Acordo Gaúcho
Programa já renegociou mais de R$ 1,1 bilhão em débitos tributários
Atuamos a favor da indústria gaúcha estimulando a cooperação entre empresas, ampliando a oferta de produtos e serviços e apoiando o desenvolvimento de novos mercados e sua internacionalização. Juntamente com o SESI, SENAI e IEL, apresentamos soluções que aumentam a competitividade da nossa indústria.
Programa já renegociou mais de R$ 1,1 bilhão em débitos tributários
A renegociação de dívidas de ICMS e os impactos do programa Acordo Gaúcho para a recuperação econômica de empresas estiveram no centro de um encontro promovido pelo Sistema FIERGS, nesta terça-feira (19). O evento reuniu representantes da indústria, do governo estadual, do empresariado e de sindicatos patronais para discutir os avanços do programa, que já renegociou mais de R$ 1,1 bilhão em débitos tributários e busca ampliar a competitividade da indústria gaúcha.
Para o presidente do Sistema FIERGS, Claudio Bier, esse debate é importante porque trata da capacidade de empresas seguirem produzindo, investindo e mantendo empregos, principalmente em contextos de estiagens, enchentes e aumento de custos. “Iniciativas como o Acordo Gaúcho tem relevância para muitos setores da economia, ao permitir condições para reorganização e retomada da atividade produtiva”, destacou. Bier lembrou que mais de 860 mil empregos são gerados pela indústria no Rio Grande do Sul, que representa cerca de 26% do PIB do Estado, além de 55% da arrecadação de ICMS e 78% das exportações gaúchas.
O coordenador do Conselho de Articulação Política do Sistema FIERGS, Diogo Bier, ressaltou a importância da união entre setor produtivo e poder público para ampliar a competitividade da indústria gaúcha. “Precisamos lembrar que a indústria gaúcha, após a pandemia, está entre as poucas do Brasil que ainda enfrentam dificuldades para crescer. Por isso, precisamos nos unir para tornar a indústria do Rio Grande do Sul mais competitiva em nível nacional e internacional”, destacou, afirmando que o trabalho da indústria é construir essa sinergia com a Receita Estadual e Procuradoria-geral do Estado.
Autor do projeto de lei do programa de renegociação de dívidas, o deputado estadual Marcus Vinicius disse que o Acordo Gaúcho foi pensado como uma alternativa para ampliar a arrecadação do estado sem aumento de impostos. “Quando nós trouxemos o Acordo Gaúcho para a discussão, foi justamente pensando no que o governo do estado pode fazer que aumente a arrecadação sem necessariamente aumentar impostos”, declarou. O parlamentar destacou ainda que o programa busca dar segurança jurídica à Procuradoria-geral do Estado (PGE) e à Secretaria da Fazenda para tratar a dívida ativa e ampliar as receitas estaduais.
Marcus Vinicius também ressaltou o potencial de arrecadação da iniciativa nos próximos anos. Conforme o deputado, a expectativa é que o programa possa gerar até R$ 10 bilhões em cinco anos, com novos editais, parcelamentos mais longos e maior utilização de precatórios. O parlamentar acrescentou que o Acordo Gaúcho também contribui para reduzir despesas do estado ao transformar precatórios em receita.
Segundo a coordenadora da Procuradoria Fiscal, Luciana Mabila Martins, o Acordo Gaúcho representa uma mudança na relação entre o estado e os contribuintes ao permitir negociações mais flexíveis e individualizadas para regularização de débitos tributários. De acordo com Luciana, o modelo deixa de seguir parâmetros rígidos, como os aplicados em programas tradicionais de parcelamento, para considerar a situação específica de cada contribuinte e de cada crédito. “A gente foge daquele sistema parametrizado, em que o desconto é igual para todos, e parte para uma situação em que temos uma análise do crédito e do contribuinte”, afirmou.
Conforme balanço apresentado pelo chefe da Divisão de Recuperação de Créditos da Receita Estadual, Clóvis Breda, o programa já contabiliza 1.163 transações firmadas, com adesão de 1.060 empresas. Instituído pela Lei nº 16.241/2024, o Acordo Gaúcho possibilita a negociação de débitos inscritos em dívida ativa ou em discussão judicial, com descontos em juros e multas, parcelamento e compensação com precatórios. O valor bruto negociado ultrapassa R$ 2 bilhões, enquanto o valor líquido chega a R$ 1,1 bilhão. Desse total, cerca de R$ 610 milhões poderão ser compensados com créditos judiciais apresentados pelas empresas participantes. Breda destacou que a regulamentação do programa, cujo segundo edital encerrou em 30 de abril, foi fundamental para garantir segurança jurídica às negociações e contribuir para a recuperação econômica das empresas gaúchas afetadas pelas enchentes.
O vice-presidente regional do Sistema FIERGS Ruben Antonio Bisi destacou os impactos do endividamento, das altas taxas de juros e dos eventos climáticos sobre empresas. Segundo Bisi, a iniciativa contribui para evitar o fechamento de empresas e estimular a regularização fiscal. Já o vice-presidente do Centro das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (CIERGS) e coordenador do Conselho da Agroindústria (Conagro), Alexandre Guerra, destacou a importância de garantir segurança jurídica e manter as empresas vivas para que possam se recuperar e voltar a crescer.
Entre os segmentos impactados está a cadeia do arroz, estratégica para a economia do Rio Grande do Sul, além da agroindústria e de pequenos negócios industriais que enfrentam desafios para manter suas operações. O presidente da Sindarroz-RS, Carlos Eduardo Borba Nunes, alertou para a perda de competitividade da indústria arrozeira gaúcha frente a estados como Minas Gerais e Paraná, que oferecem incentivos fiscais ao setor. “O Rio Grande do Sul produz 70% do arroz nacional, mas hoje responde por apenas 50% do consumo brasileiro”, afirmou.


