Em sua fala, Eduardo Machado defendeu que a mineração de areia precisa ser vista como um vetor de desenvolvimento econômico, a partir de uma abordagem menos conflituosa. Também destacou que a areia é um insumo vital para a sociedade – o que demonstra a importância de sua extração ser feita de forma organizada, por meio de um plano estadual de mineração.
“Acho que temos muito ainda a evoluir, mas também temos dado passos importantes e percebido ganhos do ponto de vista do diálogo e da construção conjunta. Precisamos aproveitar a consciência que se teve a partir da tragédia que atingiu todos nós e endereçar esses temas para que tenhamos práticas contínuas e para que o setor produtivo colabore na construção dos instrumentos, não seja alijado dos processos”, ressaltou.
O diretor-técnico da Fepam-RS concordou que a discussão sobre mineração deve ser pautada por informações e dados técnicos. Esclareceu, ainda, as políticas existentes dentro do órgão e enfatizou que o resultado dos estudos do novo Zoneamento Ambiental para a Atividade de Mineração de Areia no Lago Guaíba está disponível para consulta pública até 9 de agosto.
DESAFIOS
Gabriel Ritter acrescentou que há também uma portaria em consulta pública, que permitirá o aproveitamento comercial do material retirado na dragagem dos canais de navegação para fins de mineração. “Entendemos que, com essa nova portaria, também teremos mais essa possibilidade de a mineração atuar em conjunto com o estado, otimizando, quem sabe, o recurso que seria desprendido para fazer a dragagem, tendo também um ativo comercial para a iniciativa privada”, explicou.
Na visão do executivo do Coinfra, Gilmar Caregnatto, eventos como esse são importantes porque o RS tem indústrias instaladas nas margens do rio, sendo necessário mantê-lo em condições de transportar os insumos e produtos das empresas. “A hidrovia para nós é um modal muito importante dentro do contexto de infraestrutura no Rio Grande do Sul”, enfatizou.
Já o executivo do Codema, Tiago Pereira Neto, comentou que o principal desafio é desmistificar os impactos ambientais que são trazidos por determinadas atividades. “É importante demonstrar que essas atividades são benéficas e que existe uma série de regramentos, construídos inclusive com a colaboração da indústria, que dão segurança para que elas ocorram com o menor impacto possível”, acrescentou.