Porto Alegre, 21 de julho de 2025.
Exmo. Sr.
Geraldo Alckmin
Vice-Presidente da República do Brasil
Prezado Senhor
A Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS) vem, por meio desta, manifestar sua extrema preocupação com os efeitos que as tarifas anunciadas pelo Governo dos Estados Unidos trarão ao setor produtivo brasileiro, em especial à indústria gaúcha.
De acordo com estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Rio Grande do Sul será o segundo estado mais impactado do país, com uma estimativa de queda de R$ 1,9 bilhão no seu PIB em um ano. Esse dado evidencia um risco real de retração no faturamento, suspensão de investimentos e perda de empregos em cadeias produtivas essenciais para nossa economia. A perda de empregos esperada no Brasil é de 110 mil postos de trabalho, dos quais cerca de 22 mil devem ocorrer no Rio Grande do Sul, segundo nossas estimativas.
A indústria gaúcha tem forte vocação exportadora, com 18,9% de seu faturamento proveniente do mercado externo – acima da média nacional de 16,4%. Os Estados Unidos são nosso principal parceiro comercial no setor de transformação, respondendo por US$ 1,8 bilhão (11,2%) das exportações do RS em 2024.
Atualmente, mais de 1.100 indústrias gaúchas exportam para os EUA, representando 10% do total nacional. Os setores mais expostos empregam 145 mil trabalhadores (21,2% da força industrial do estado), com destaque para:
- Máquinas e equipamentos
- Químicos
- Metalurgia e metalmecânico
- Móveis, madeira e plásticos
- Couro e calçados
- Celulose e papel
- Tabaco
Diante da gravidade do cenário, solicitamos, com máxima urgência, a liderança do Governo Federal para as seguintes ações prioritárias:
- Manutenção da tarifa atual para exportações brasileiras aos EUA, evitando a entrada em vigor do aumento anunciado;
- Prorrogação por ao menos 90 dias do prazo das novas tarifas, permitindo negociações técnicas e diplomáticas;
- Evitar retaliações ou escaladas comerciais, priorizando uma estratégia de diplomacia empresarial com foco em argumentos econômicos e na preservação das relações históricas com o mercado norte-americano.
Acreditamos que essas iniciativas são fundamentais para proteger a indústria nacional e abrir espaço para um diálogo responsável com os EUA, visando à reversão das medidas anunciadas.
Paralelamente, defendemos a adoção de ações compensatórias internas, como:
- Facilitação de crédito e capital de giro para empresas afetadas;
- Reforço de mecanismos de reintegração tributária (ex.: Reintegra);
- Incentivos à manutenção de empregos;
- Ações de acesso a novos mercados.
A FIERGS reafirma sua confiança na capacidade do Governo Federal para liderar essa agenda com equilíbrio, firmeza, e sensibilidade considerando as especificidades regionais da indústria brasileira.
Colocamo-nos à disposição para contribuir na formulação e execução dessas medidas.
Cordialmente,
Claudio Bier
presidente do Sistema FIERGS